JOHN LOCKE

"todos os homens, que, sendo todos iguais e livres, nenhum deve prejudicar o outro, quanto à vida, à saúde, à liberdade, ao próprio bem". E, para que ninguém empreenda ferir os direitos alheios, a natureza autorizou cada um a proteger e conservar o inocente, reprimindo os que fazem o mal, direito natural de punir"

FRIEDRICH HAYEK

“A liberdade individual é inconciliável com a supremacia de um objetivo único ao qual a sociedade inteira tenha de ser subordinada de uma forma completa e permanente”

DEBATES FILOSÓFICOS

"A filosofia nasce do debate, se não existe a liberdade para o pensar, logo impera a ignorância"

A Filosofia é.....

"Viver sem filosofar é o que se chama ter os olhos fechados sem nunca os haver tentado abrir". Descartes

LIBERDADE

"Liberdade, Igualdade , Fraternidade. Sem isso não há filosofia. Sem isso não há existência digna.

"Nós temos um sistema que cobra cada vez mais impostos de quem trabalha e subsidia cada vez mais quem não trabalha"

LUDWING V. MISES

"O socialismo é a Grande Mentira do século XX. Embora prometesse a prosperidade, a igualdade e a segurança, só proporcionou pobreza, penúria e tirania. A igualdade foi alcançada apenas no sentido de que todos eram iguais em sua penúria"

sexta-feira, 11 de agosto de 2017

O CONTRA GOPLE DE 1964 - A VERDADE SUFOCADA – A VERDADEIRA HISTÓRIA DA INTERVEN ÇÃO MILITAR CONTRA O COMUNISMO NO BRASIL

DOCUMENTÁRIO 


LIVRO

Um livro fundamental para quem quer entender as peculiaridades da ditadura brasileira Com seu estilo coloquial, direto e despojado, e após polemizar em torno do comportamento do Poder Judiciário e do escândalo político no livro Mensalão, Marco Antonio Villa agora desmistifica a ditadura brasileira, tanto em sua duração como em seus efeitos. Narra aqui a história desse período de maneira simples e objetiva, com o intuito de ser claro e transparente.Já afirmou que 'é rotineira a associação do regime militar brasileiro com as ditaduras do Cone Sul (Argentina, Uruguai, Chile e Paraguai). Nada mais falso. [...] Enquanto a ditadura argentina fechou cursos universitários [...] privatizou e desindustrializou a economia [...], no Brasil ocorreu justamente o contrário [...]. Os governos militares industrializaram o país, modernizaram a infraestrutura, romperam os pontos de estrangulamento e criaram as condições para o salto recente do Brasil'. Sem se omitir quanto aos excessos que levaram à perseguição, tortura e morte no período entre o final de 1968 e 1979, para ele, porém, 'o regime militar brasileiro não foi uma ditadura de 21 anos. Não é possível chamar de ditadura o período 1964-1968 (até o AI-5), com toda a movimentação político-cultural. Muito menos os anos 1979-1985, com a aprovação da Lei de Anistia e as eleições para os governos estaduais em 1982'.Mordaz, Villa diz que o panorama intelectual brasileiro é desalentador: 'Com a redemocratização, os intelectuais foram se afastando. Contam-se nos dedos aqueles que têm uma presença ativa'. A seu ver, muitos dos que hoje se dizem justiceiros do regime militar, naquela época, 'estranhamente, omitiram-se quando colegas foram aposentados compulsoriamente pelo AI-5, como Florestan Fernandes, Fernando Henrique Cardoso [...] ou presos e condenados, como Caio Prado Júnior'.



ABAIXO SEGUE MAIS ARTIGOS COM LINKS PARA VÍDEO E ÁUDIO E OUTROS ARTIGOS PARA TODOS SE INFORMAREM MELHOR SOBRE ESSE PERÍODO MUITO POUCO ESCLARECIDO DA NOSSA HISTÓRIA.
  
A imprensa e as universidades, e a mídia como um todo, bem como o mercado editorial estão infiltrados e sob controle dos agentes dos partidos socialistas desde a época do regime militar, e a cada ano que passa tomam cada vez mais conta de tudo, tornando a verdade inacessível aos jovens brasileiros. Eles transmitem somente a visão socialista deles, conforme seus interesses, e deturpam a história, se fazendo de vítimas.
   
  
  
O QUE  A ESQUERDA NÃO QUER QUE VOCÊ SAIBA


A VERDADE SOBRE O REGIME MILITAR DE 1964 A 1985


A VERDADE SOBRE O TERRORISMO NO BRASIL

          
AOS QUE NÃO VIVERAM A CONTRA-REVOLUÇÃO DE 31 DE MARÇO DE 1964

INTERVENÇÃO MILITAR E A CONSTITUIÇÃO

INTERVENÇÃO MILITAR E A CONSTITUIÇÃO - O QUE ANTES ERA APENAS UMA IDEIA REMOTA, COMEÇA SER VISTO DIFERENTE DIANTE DO CAOS QUE CHEGOU O CONGRESSO NACIONAL

Os militares não precisam de autorização para intervenção constitucional
Vejamos o que diz a Carta Magna.
Art. 142. As Forças Armadas, constituídas pela Marinha, pelo Exército e pela Aeronáutica, são instituições nacionais permanentes e regulares, organizadas com base na hierarquia e na disciplina, sob a autoridade suprema do Presidente da República, e destinam-se à defesa da Pátria, à garantia dos poderes constitucionais e, por iniciativa de qualquer destes, da lei e da ordem.
Podemos observar que temos duas divisões no final do artigo:
Uma que destina-se a defesa de Pátria, a garantia dos poderes constitucionais, sem invocar a forma como isto será feita;
"e,";
Uma segunda parte que por iniciativa de qualquer dos poderes as forças armadas poderão ser convocadas pois destinam-se também a defesa da lei e da ordem.
A Constituição não fala sequer que os cidadãos precisam ir às ruas para que haja uma tomada constitucional, mas fala da garantia dos poderes. Ou seja, se os poderes estão em perigo, não estão funcionando, funcionando mal, os militares podem assumir o pode.
O Judiciário precisaria tomar responsabilidade do que está fazendo, mas se não o faz é porque está envolvido no problema sendo parte dele, e isto sim é uma grande porta de abertura para uma intervenção militar no pais.
Entendo, que se nada for feito, principalmente se o judiciário não fizer seu trabalho, pode sim, haver um intervenção militar com todo o apoio de Carta Magna, e até da própria população.
Não faço defesa a intervenção militar. Mas com certeza prefiro ouvir:

A FARSA DO FIES E A DIVIDA D 61 BILHÕES

Entenda como funciona o FIES e a inclusão social do PT.





A INTERVENÇÃO MILITAR PARECE SER O ÚNICO CAMINHO PARA UM CONGRESSO PODRE NA CORRUPÇÃO

Olha que absurdo. Em 2015 o fundo partidário era de 200 milhões. Em 2016 foi para 819,00 milhões. Agora, sete partidos: 
 PMDB, PSDB, DEM, PSB, PP, PR,PSD E PTB fecham em reunião na calada da noite, para aprovar fundo partidário de 3,5 bilhões. Este procedimento, contribuirá para a perpetuação dos mesmos políticos no poder, os quais usará o dinheiro público para patrocinar as próprias campanhas. Essa, é nossa democracia !!!

AS QUATROS FORMAS DE GASTAR DINHEIRO POR MILTON FRIEDMAN

As quatro formas de gastar dinheiro, propostas por Milton Friedman prêmio Nobel 1976, mostram a contradição em confiar o dinheiro ao Estado para sua redistribuição.
Quando analisamos a eficácia e a eficiência de uma ação, seja individual ou política, percebemos que as motivações dessa ação são tomadas (ou deveriam) pelo seu custo-benefício. Quando porém, o benefício não é próprio, mais variáveis são acrescentadas na análise. Milton Friedman, destacado economista da Escola de Chicago e vencedor de um prêmio Nobel, simplifica entretanto, de forma precisa as quatro formas de gastar um recurso:
1) A primeira é gastamos nosso dinheiro consigo próprio. Nesse caso, possuímos um incentivo para procurar algo de qualidade, porém avaliamos em como gastar o dinheiro de forma eficiente, avaliando o custo. É o modo natural de as empresas do setor privado usarem seus recursos e direcionarem suas operações buscando o lucro.
2) Outra maneira é gastar nosso dinheiro com outra pessoa — por exemplo, quando você compra algo para alguém. Nesse caso, certamente nos preocupamos com a quantidade de dinheiro que gastamos, mas se não temos uma ligação emocional com o beneficiado, estamos inconscientemente menos interessados na qualidade do produto.
3) A terceira maneira é quando gastamos o dinheiro de outra pessoa consigo mesmo, como quando almoçamos à custa de nossa empresa ou quando agentes públicos usam o dinheiro da corrupção para comprar seus automóveis e suas mansões. Nesse caso, teremos pouco incentivo para ser frugal, mas nos esforçaremos para escolher os melhores produtos.
4) Por fim, o quarto modo é quando gastamos o dinheiro de alguém com outras pessoas. Nesse caso, não temos motivos para se importar nem com a qualidade e nem com o custo. E esta é a maneira como, geralmente, o governo gasta o dinheiro dos impostos recolhidos de nossos bolsos e devolvendo (parte) para a sociedade.
E nesse país de lógicas sombrias, ainda existem milhões e milhões de pessoas que, com sua lógica socialista, continuam defendendo o desvio de mais recursos para o Estado.
E pior: defendendo o desvios e mais recursos para programas que criam uma constante dependência que eternizam a permanência desses senhores do poder, como comentei em "A diferença básica entre liberais e estatistas".

MADURO E O NONO MANDAMENTO LÊNIN

Como dizia Friedrich Hayek, “A liberdade não se perde de uma vez, mas em fatias, como se corta um salame.”
Três anos após desarmar a população, Maduro, arma a milícia com 400 mil fuzis. Os recursos vem dos 15 Bilhões que Lula em seu governo pegou do BNDS, e emprestou a Venezuela, e Dilma em seu governo perdoou a dívida.

9° Mandamento do decalago de Lênin:

"Procure catalogar todos aqueles que possuam armas de fogo, para que elas sejam confiscadas no momento oportuno, tornando impossível qualquer resistência à causa".


SAIBA O QUE LULA FEZ DE 2002 A 2010 COM A “DIVIDA INTERNA/EXTERNA” DO BRASIL E COMO QUEBROU A ECONOMIA



Você ouve falar em DÍVIDA EXTERNA e DÍVIDA INTERNA em jornais e TV e não entende direito vamos explicar a seguir de modo simples:
DIVIDA EXTERNA é uma dívida com os Bancos, Mundial, o FMI e outras Instituições, no exterior em moeda externa.
DIVIDA INTERNA é uma dívida com Bancos em R$ (moeda nacional) no país. Então, quando LULA assumiu o Brasil, em 2002, devíamos:
● Dívida externa = 212 Bilhões
● Dívida interna = 640 Bilhões
● Total DA Dívida = 851 Bilhões
Em 2007 Lula disse que tinha pago a dívida externa. E é verdade, só que ele não explicou que, para pagar a dívida externa, ele aumentou a dívida interna:
Em 2007 no governo Lula:
●Dívida Externa = 0 Bilhões
●Dívida Interna = 1.400 Trilhão
●Total DA Dívida = 1.400 Trilhão
Ou seja, a Dívida Externa foi paga, mas a dívida interna quase dobrou. Agora, em 2010, você pode perceber que não se vê mais na TV e em jornais algo dito que seja convincente sobre a Dívida Externa quitada. Sabe por que? É que ela voltou
Em 2010 no governo Lula:
●Dívida Externa = 240 Bilhões
●Dívida Interna = 1.650 Trilhão
●Total DA Dívida = 1.890 Trilhão
Ou seja, no governo LULA, a dívida do Brasil aumentou em UM TRILHÃO.
Daí é que vem o dinheiro que o Lula está gastando no PAC, Bolsa família, bolsa educação, bolsa faculdade, bolsa cultura, Bolsa para presos, dentre outras mais bolsa. É de onde tirou 30 milhões de brasileiros DA pobreza.
E não é com dinheiro do crescimento, Mas sim, com dinheiro de ENDIVIDAMENTO.
Compreenderam? Ou ainda acham que Lula é mágico?
Quer mais detalhes, sobre dívida interna e externa do Brasil. Acesse o site:
Os brasileiros, vão pagar muito caro pela atitude perdulária do governo Lula, que não está conseguindo pagar os juros dessa “Dívida trilhardária” tendo que engolir um “spread” (txa. Juros) Muito caro para refinanciar os “papagaios”, sem deixar nenhum benefício para o povo, mas apenas DIVIDAS A PAGAR por todos os brasileiros, que pagam seus imposto.
ACORDA BRASIL
Para maiores esclarecimentos, leia artigo de Hélio Fernandes no site: http://www.tribunadaimprensa.com.br/?p=6379 CADA cidadão brasileiro tem uma dívida, feita pelo Lula, de quase 1.0 MILHÃO DE REAIS.
Dá para entender por que a Dilma manda maquiar os balanços federais? Porque as contas não fecham. Este bando nunca administrou nada. Estão quebrando o Brasil ! É só olhar para o nosso PIB, o “crescimento” das nossas indústrias; o tamanho da dívida interna; a falta de infraestrutura etc.
Fonte: Gazeta do povo.

sábado, 15 de julho de 2017

SOBRE DOUTRINAÇÃO NO MEIO ACADÊMICO


SOBRE DOUTRINAÇÃO NO MEIO ACADÊMICO

Por: Henrique Galvão
Licenciado em filosofia
Universidade Federal de Minas Gerais


No curso de Filosofia na minha faculdade, vou tentar provar que doutrinação existe sim. Para começar vou passar duas listas:

1) Marx, Rousseau, Foucault, Deleuze, Derrida, Sartre, Zizek, e Escola de Frankfurt.(Pensadores de esquerda)
2) Edmund Burke, Tocqueville, Russel Kirk, Michael Oakeshott, Roger Scruton, Thomas Sowell, Ortega y Gasset e Mises.(Liberais Conservadores).

No curso que fiz (um curso que se diz plural e a favor da divergência de ideias) nenhum professor nunca citou nenhum nome da segunda lista, nenhuma vez, nem para discordar dele, esses nomes são simplesmente ignorados. Já os da primeira lista eram constantemente lembrados. Se você é alguém que não compactua com as ideias de esquerda, você tem que estudar duas vezes. Você estuda a bibliografia recomendada, e outra feita por você, para que você tenha o mínimo de argumentos para debater. Porem, eu nunca tentava , confesso que fui covarde. Como não podia contar com os professores, resolvi depositar esperanças na biblioteca, pensando que nela eu encontraria os autores esquecidos pelos professores, e aqui está o que encontrei:

·         Menger e Jevons: 1 exemplar
·         ises(principal rival de Marx): 5 exemplares
·         Thomas Sowell: 0
·         Russel Kirk: 0
·         Roger Scruton: 1 exemplar( e é um livro dele sobre arquitetura)
·         Tocqueville: 0
·         Edmund Burke: 1 exemplar
·         Michael Oakeshott: 0

Contra:
·         79 exemplares do capital de Marx (em três línguas diferentes) e outros 153 exemplares relacionados ao marxismo.
·      3 exemplares de “O Desenvolvimento do Capitalismo na Rússia” de Lênin e outros 31 exemplares relacionados ao leninismo.
·         61 exemplares de Habermas.
·         30 exemplares de Foucault.
·         2 exemplares de Zizek.
·         17 exemplares de Lucaks.
·         36 exemplares de Rousseau.

No total, são 412 exemplares de esquerda contra 8 de “liberais conservadores”. Eu poderia encerrar aqui né? Mas vamos lá.

A maioria, para não dizer todos, dos professores esconde de você o outro lado, como se uma narrativa de direita não existisse, e isso acontece em praticamente todos os cursos de humanas. Doutrinação não é só o professor dizer o que ele pensa, mas toda vez que ele te oferece uma fonte, e esconde a contrária, ele está limitando seu imaginário ao imaginário dele, ou seja, por mais que você não compactue com as ideias dele, você sempre acaba falando a linguagem dele(ou seja, uma linguagem esquerdista), porque você não tem outra alternativa(na verdade, você nem sabe que existe outra alternativa). Ainda tem gente que acredita que toda a classe intelectual é de esquerda, simplesmente porque deve ser realmente o melhor lado, ou o lado mais inteligente.
 Porem, você acha isso exatamente porque existe doutrinação, você é impossibilitado de conhecer o outro lado, tomando a esquerda como verdade absoluta. Responda com sinceridade, no seu ensino médio ou no seu curso de humanas, você já ouviu o nome de algum autor da segunda lista? Pois é... (no máximo ouviu Mises, no MÁXIMO). É assim que a doutrinação acontece. Talvez seu professor (a) nunca tenha manifestado em sala de aula sua posição politica, mas ao recomendar Rousseau e não recomendar Burke, ao recomendar Marx e não recomendar Mises e assim por diante, ele está tirando sua liberdade de escolha. Ele te mostra apenas um lado e você vira escravo desse lado. Por mais que você estude Marx, Foucault e Rousseau; por mais que você seja um estudioso voraz, você será um escravo da esquerda, pois sua liberdade de escolher quem é melhor: Rousseau ou Burke, Marx ou Mises, Foucault ou Ortega y Gasset foi tirada de você, e isso é um ataque a sua dignidade.

Não estou querendo dizer que meu lado é a verdade, mas estou querendo dizer que existe uma narrativa de “direita” que não tem nada a ver com homofobia, xenofobia e racismo. Na direita também existe cultura, também existe sabedoria e sensibilidade, basta você se interessar e ler os autores, e só assim você poderá escolher qual lado é o melhor. Enquanto você só ler Marx e Rousseau, é evidente que você achará esse lado o correto.

sexta-feira, 23 de junho de 2017

O MAL-ESTAR NA CIVILIZAÇÃO MODERNA

Em seu texto de 1920, “O mal-estar na civilização”, Freud  chegou a conclusão que o indivíduo não pode ser feliz na civilização moderna. Mesmo com todo progresso técnico e cientifico o homem não se tornou mais feliz. Ao refletir sobre o propósito da vida, ele diagnosticou que o objetivo da civilização não é a felicidade, mas é a renúncia a ela.    A vida do indivíduo é a busca constante pela realização da satisfação do prazer, mas esta  satisfação é impossível de realizar num mundo carente e escasso de recursos.  O mundo é hostil as necessidades humanas, para tudo que é bom e prazeroso exigem-se trabalhos penosos e sofrimentos.  A manutenção da  civilização exige que os individuos trabalhem. Mas os homens não são amantes do trabalho e os argumentos não tem valia nenhuma contra suas paixões.  Assim, é somente através da repressão social que os indivíduos são obrigados a trabalhar.  
        Na teoria da cultura freudiana, a sexualidade é a pedra fundamental na manutenção e reprodução da civilização. A civilização só pode existir porque os impulsos sexuais são canalizados para o trabalho, gerando todos os bens materiais e intelectuais da civilização.  “A civilização está obedecendo às leis da necessidade econômica, visto que uma grande quantidade de energia psíquica que ela utiliza para seus próprios fins tem de ser retirada da sexualidade” (FREUD, 1969, p. 125). Em conseqüência disso, Freud atribuiu as doenças psíquicas de sua época a grande repressão que a civilização exerce sobre os impulsos sexuais. Essa insatisfação foi exigida num grau muito superior que o necessário. O processo civilizatório é marcado pela renúncia e pelo sentimento de insatisfação que os homens experimentam vivendo em sociedade.  O resultado disso é o mal-estar na civilização. Este mal-estar é produzido pelo conflito irreconciliável entre as exigências pulsionais e as restrições da civilização.    
        Hoje, em pleno século XXI, podemos dizer que nossa época melhorou muito. A vida tornou-se um pouco mais digna; as taxas de crescimento da natalidade e o aumento da expectativa de vida demonstram a melhoria. A saúde e o saneamento básico já atingem a grande maioria da população mundial. O analfabetismo já não é um problema grave dos países subdesenvolvidos.  Há uma maior tolerância à liberdade sexual.  A população de hoje usufrui mais e melhor dos bens culturais. No entanto, o mal estar na civilização não desapareceu.  Em nossa época, o mal-estar assume novas formas, ela estaria mais associada às condições econômicas e sociais que os indivíduos experimentam no mundo moderno. Nós, filhos da modernidade, somos espectadores de uma experiência que melhor se conceitua como fome, miséria, barbárie, guerras, desemprego, instabilidade econômica e social.  Todos esses fatores geram a insegurança social no indivíduo e, conseqüentemente, são responsáveis pelas doenças psíquicas de nossa época.  No atual estágio de nossa civilização não sabemos se nossas perspectivas serão realizadas. O mundo se torna cada vez mais racionalizado e o trabalho se torna cada vez mais dispensável.  A racionalidade técnica cria cada vez mais domínio de objetos e instrumentos que acabam por mecanizar todas as estruturas sociais.   O homem, entendido como homo faber está perdendo sua importância. Nós vivemos uma época de desemprego estrutural (desemprego causado pela mecanização das estruturas sócias). Esse desemprego atinge todos os países e torna inexorável o fim da sociedade do trabalho. O homem tem se tornado uma peça inútil na estrutura dos meios de produção. A possibilidade de uma mecanização completa em todas as esferas da vida social é uma possibilidade histórica. Esse fato deve abalar o narcisismo do homem.  O indivíduo se vê sem ocupação e sem perspectivas. Ele perde sua identidade na medida em que perde sua ocupação. Ele torna-se um indivíduo à margem, mais um na massa de desempregados. É este mal-estar na civilização, que surge da preocupação, do medo e da insegurança que procuramos diagnosticar. 
        Na época de Freud, o puritanismo, os tabus e a enorme rigidez contra os impulsos sexuais poderiam dar razões para se afirmar que o mal-estar surgisse das restrições à vida sexual. Contudo, vivemos em uma época onde a liberdade sexual é tolerada e até mesmo incentivada.  A sexualidade perdeu sua importância como fator preponderante nas crises de ansiedade e de neuroses.  No atual estágio do progresso humano, as restrições à sexualidade tornaram-se desnecessárias. Com o desenvolvimento técnico e cientifico, o uso das pulsões sexuais na criação dos bens culturais perdeu sua importância. O homem já não precisa mais sacrificar sua sexualidade em nome do progresso. Hoje a racionalidade atingiu todas as esferas da vida social. O progresso técnico atingiu tal amplitude que já não é mais necessário desviar as pulsões sexuais para o trabalho competitivo. Em um futuro próximo, não será mais preciso o uso das forças humanas na produção e reprodução dos bens culturais. As pulsões estariam livres da repressão imposta pelo trabalho social. Dessa forma, o mal-estar do indivíduo na civilização já não surge mais da insatisfação libidinal. Já não é mais de uma tensão física, sexual, que causa a ansiedade, mas é uma tensão psíquica, causada pela preocupação, pelo medo e pela insegurança, causada por condições econômicas e sociais. Os estímulos externos causam todo tipo desajuste psíquico.  É comum a experiência da melancolia, da depressão, do desânimo, do desinteresse pela vida, da baixa auto-estima e da sensação de inutilidade.  As doenças, que eram menos comuns na época de Freud,  tornaram-se grandes problemas para psicólogos e psiquiatras: são os traumas de roubos e de sequestros, a síndrome do pânico, a compulsão de consumo, a síndrome de perseguição, a misantropia e a depressão. Todas essas doenças são acompanhadas de crises de ansiedade. São doenças típicas de nossa época,  que estão associadas ao mal-estar na civilização.                      
             Segundo Mezan (2000), na época de Freud a sociedade era mais rigidamente patriarcal e com valores claramente identificáveis, nossa época tornou-se mais relativista e fragmentária. Os ritmos de mudança na sociedade contemporânea se tornaram alucinantes, deixando os indivíduos desorientados e pressionados pelas exigências do dia-a-dia.  Se na época de Freud os valores eram bem estabelecidos, em nossa época não há mais valores ou rumos pré-estabelecidos a serem seguidos. A família como formadora da individualidade se fragmentou. Os laços familiares se tornaram frágeis por causa das exigências do mundo exterior. A família não constitui mais um núcleo fixo de produção da subjetividade. Todos os indivíduos devem trabalhar se querem viver. A criança não tem mais o convívio do pai. O pai deixou de ser um parâmetro ou modelo a ser seguido. Não há mais parâmetros ou padrões definidos.  A Tv, a escola e as instituições sociais ensinam os modelos,  as formas de ser, de pensar, de agir e de valorizar. O indivíduo moderno está desamparado e desorientado. Seu modelo é o patrão, o playboy rico, o traficante do bairro ou o artista de novela.  O distanciamento da autoridade paterna causou ao indivíduo o desnorteamento e a insegurança frente ao mundo exterior.        
         O mal-estar na civilização é a condição existencial do homem moderno, é o destino que todos temos de compartilhar. O simples fato de o indivíduo viver no mundo contemporâneo já é o requisito para se viver ansioso. A sociedade industrial, a competitividade, o consumo desenfreado, o desemprego, a violência, a dinâmica das transformações sociais e dos valores, a adaptação do indivíduo as exigências da vida são os principais fatores que produzem o mal-estar na civilização. 
Bibliografia
FREUD, SO mal-estar na civilização. Rio de Janeiro, Imago,   Edições Standard, Tomo  XXI ,1969.
 MEZAN, Renato . O Mal-Estar na Modernidade. Revista Veja, São Paulo, p. 68 – 70, 26 dez. 2000. 

OS CINCO MAIORES ARREPENDIMENTOS NO LEITO DE MORTE: UMA REFLEXÃO SOBRE A FELICIDADE

“Se eu pudesse viver novamente a minha vida, na próxima trataria de cometer mais erros. Não tentaria ser tão perfeito, relaxaria mais. Seria mais tolo ainda do que tenho sido; na verdade, bem poucas pessoas levariam a sério. Seria menos higiênico. Correria mais riscos, viajaria mais, contemplaria  mais entardeceres, subiria mais montanhas, nadaria mais rios. Iria a mais lugares onde nunca fui, tomaria mais sorvete e menos lentilha, teria mais problemas reais e menos imaginários. Eu fui uma dessas pessoas que viveu sensata e produtivamente cada minuto da vida. Claro que tive momentos de alegria. Mas, se pudesse voltar a viver, trataria de ter somente bons momentos. Porque, se não sabem, disso é feito a vida: só de momentos – não percas o agora. Eu era um desses que nunca ia a parte alguma sem um termômetro, uma bolsa de água quente, um guarda-chuva e um pára-quedas; se voltasse a viver, viajaria mais leve. Se eu pudesse voltar a viver, começaria a andar descalço no começo da primavera e continuaria assim até o fim do outono. Daria mais voltas na minha rua, contemplaria mais amanheceres e brincaria com mais crianças, se tivesse outra vez uma vida pela frente. Mas, já viram, tenho 85 anos e sei que estou morrendo”.
        Este é um poema da escritora americana Nadine Stair, falsamente atribuído a Jorge Luiz Borges, escritor Argentino. Mas isso não é um problema, o mais importante é que ele é uma promessa de felicidade,  nos faz refletir sobre nossas vidas.  O poema retrata os arrependimentos de quem está à beira da morte. Trata do mesmo assunto do livro, “The top five regrets of the dying” (Os cinco maiores arrependimentos de pacientes terminais). A autora Bronnie Ware é uma enfermeira australiana que, depois de muitos anos de trabalho com doentes terminais,  relatou em seu livro quais são os cinco maiores arrependimentos que os seres humanos têm antes de morrer. Gostaria de fazer uma breve reflexão sobre esses arrependimentos, procurando entender as razões que levam os homens a se autoenganarem em busca da felicidade.
       O primeiro arrependimento dos doentes terminais é “não terem tido a coragem de viver a vida que quiseram, mas sim a vida que os outros esperavam deles”. Na grande parte de suas vidas os homens vivem de forma irrefletida, são incapazes de viver uma vida autêntica, segundo suas escolhas. Aceitam sua existência como uma imposição do destino. Não vislumbram uma vida diferente dá que levaram. Vivem conforme os preceitos e os valores de sua sociedade. Ter uma profissão, casar, ter filhos, vencer na vida e na profissão, ganhar dinheiro e prestígio são as ilusões que os motivam. Quando se dão conta que perderam as energias e estão próximos da morte, começam a refletir sobre suas escolhas. Percebem que grande parte de seus sonhos e desejos não foram realizados, e culpam a si mesmos por causa das decisões que tomaram ou deixaram de tomar. Schopenhauer compreendeu muito bem esse estado de inconsciência. Segundo o filósofo, “assim como um regato corre sem ímpetos, enquanto não encontra obstáculos, do mesmo modo na natureza humana (…) a vida corre inconsciente e descuidosa, quando coisa alguma se lhe opõe à vontade. (…) Tudo o que se ergue em frente da nossa vontade, tudo o que a contraria ou lhe resiste, isto é, tudo que há de desagradável e de doloroso, sentimo-lo ato contínuo e muito nitidamente. Não atentamos na saúde geral do nosso corpo, mas notamos o ponto ligeiro onde o sapato nos molesta” (Schopenhauer, D.M.). É somente na doença que os indivíduos prestam atenção à vida. Quando tudo vai bem não percebem a existência passar. Quando estão ativos e com saúde não refletem sobre as suas vidas, sobre o sentido e significado que ela tem para eles.  Só a percebem quando estão gravemente doentes ou correm risco de vida.  “Enquanto possuímos saúde, juventude e liberdade não temos consciência deles, e só os apreciamos depois de havermos perdido” (idem, Ibidem).
    Além de perceberem que viveram de forma inconsciente, ao refletirem sobre suas vidas, os doentes terminais também perceberam que sempre estiveram preocupados com a opinião alheia, sendo guiados por toda forma de preconceito. Viveram conforme os outros desejavam e não como deveriam viver. Foram autosugestionados. Foram incapazes de refletirem sobre suas ações e seus verdadeiros desejos. Ficaram com medo de magoar ou medo de expor seus sentimentos. Por causa disso, tiveram sua interioridade dividida, uma vez que desejavam levar uma vida diferente dá que levaram, mas foram covardes em não realizarem seus desejos mais íntimos.  Viveram num eterno dilema interior, numa eterna angústia. O que lhes faltava era reflexão e coragem.  Foram incapazes de se autoexaminarem e se decidirem com autodeterminação. A falta de sentido de suas vidas provém da incapacidade de se autoconhecerem e de agirem como seres pensantes e autônomos. Ao não perscrutarem e analisarem sua existência e seu mundo  interior tornaram-se incapazes de dirigirem suas próprias vidas.
     O segundo arrependimento descrito pelos doentes é “terem trabalhado muito durante a vida”.  Gostariam de ter curtido mais os filhos e o casamento. A grande parte da existência dos homens é vivida no trabalho. Parece um destino inexorável. Hoje com progresso técnico e científico já não é mais necessário que se trabalhe tanto, mas isso não é levado a sério. O que podemos observar é que os homens trabalham tanto como na época da revolução industrial. A busca desenfreada pelo dinheiro, o consumismo exacerbado, a busca da diferenciação simbólica têm incentivado os indivíduos trabalharem cada vez mais.  No trabalho os homens perdem uma grande parte de sua existência, se alienam de suas vidas e de si mesmos, assim como perdem a noção da representação do tempo. O trabalho ocupa a maior parte da vida dos indivíduos.  Os antigos gregos se referiam ao tempo de duas formas: o tempo cronológico, quantitativo, sequencial, existencial, eles chamavam Khronos (o tempo dos homens). Já o tempo eterno, qualitativo, de algo especial, do momento oportuno, do instante singular, eles denominavam Kairós (o tempo dos deuses).  O tempo cronológico, do trabalho, da labuta, tornou-se parte do ser humano. Isso significa que o tempo do Khronos foi interiorizado de tal modo que se tornou uma dimensão da natureza humana.   O tempo de trabalho foi supervalorizado, já o tempo dos momentos especiais perdeu valor. O homem moderno praticamente abandonou o tempo de Kairos. O tempo de Kairós são os momentos que brincamos com nossos filhos, que estamos com os amigos, que lemos, refletimos, contemplamos a natureza ou que fazemos algo que gostamos. São esses momentos especiais que ficam eternizados em nossa memória. São esses momentos que desvalorizamos por causa do trabalho.
    O terceiro arrependimento dos doentes terminais foi “não terem tido a coragem de expressarem seus sentimentos” A enfermeira Bronnie Ware relatou em seu livro que muitas pessoas suprimiram seus sentimentos para ficar em paz com os outros. Como resultado, se acomodaram em uma existência medíocre e nunca se tornaram quem eles realmente eram capazes de ser. Muitos desenvolveram doenças relacionadas à amargura e ressentimento que carregavam. Segundo o filósofo alemão Nietzsche, o ressentimento é característico de homens sem forças para reagir diante dos problemas e dos imprevistos da vida e que não conseguem digerir sentimentos nocivos produzidos por sua incapacidade de reação.  São homens incapazes de vingança das ofensas recebidas, que remoem dentro de si impressões negativas. O grande conselho do filósofo é não calar. Responder as ofensas, expressar os sentimentos, afirmar a vontade, encarar a vida com toda sua fealdade é um grande sinal de saúde.  “Aos que silenciam falta-lhes quase sempre finura e cortesia do coração; silenciar é uma objeção, engolir as coisas produz necessariamente mau caráter – estraga inclusive o estômago. Todos os calados são dispépticos” (Nietzsche, 2008, p.27).
         O quarto maior arrependimento é “não terem ficado mais em contato com os amigos como gostariam”. Segundo a enfermeira Bronnie Ware, muitas vezes os pacientes não compreendem verdadeiramente os benefícios dos velhos amigos até estarem no leito de morte. Eles estavam tão envolvidos com suas vidas que deixaram para trás muitas amizades valiosas.  Arrependeram-se de não terem dedicado tempo e esforços aos amigos.  É somente no final da vida que percebem que tudo o que resta é o amor e os relacionamentos, diz ela. Todos sentem falta dos amigos na hora da morte. É natural esse sentimento, uma vez que a amizade surge de uma grande afeição, afinidade e conhecimento mútuos.  A amizade produz a cumplicidade, a lealdade, o altruísmo e a benevolência. Ela deixa marcas indeléveis no espírito humano. Contudo, nos dias de hoje, os homens não se encontram mais rodeados por outros homens, mas por objetos. Afinal, vivemos na sociedade do consumo. As relações sociais já não são tanto com seus semelhantes, mas com as coisas. Os homens se dedicam com muito mais afinco ao consumo e a busca da riqueza do que com a amizade. Sócrates no século V a.C. já havia notado que a grande preocupação que motivava os homens de sua época era o corpo, a beleza e a riqueza. Isso não mudou de lá para cá. Os homens vivem em permanente catarse, estão permanentemente iludidos, sempre em busca de satisfazer algum desses desejos. Esse é um dos maiores erros na busca da felicidade.
      O quinto e último arrependimento se refere propriamente à felicidade, os pacientes no leito de morte “gostariam de terem se permitido serem mais felizes”. Segundo a enfermeira Bronnie, esse arrependimento é muito comum. Muitos só percebem  que a felicidade é uma escolha no final da vida. Eles ficaram presos a antigos hábitos e padrões. O conforto familiar transbordou em suas emoções, como em suas vidas. O medo de mudança fez com que fingissem para os outros e para si mesmos que estavam contentes. Mas no fundo, diz ela,  queriam rir de verdade e fazer novamente coisas bobas na vida. Por isso não foram plenamente felizes.  A felicidade é a satisfação de uma falta, uma carência, um desejo. Mas ela só se realiza na ação. Essa ação muitas vezes deve se fundar na superação de um conflito, de um dilema, de uma frustração, de um sofrimento. O importante é que esses obstáculos sejam superados, mesmo que seja na dor. É nessa busca reflexiva onde a ação é norteadora que renascemos e podemos nos fundar como seres plenos de alegria. “Fundar-se é escolher e construir por si próprio os princípios de sua própria existência; o ato de fundação é o ato da autonomia e vale porque é um gozo, o gozo criador da liberdade. Essa liberdade, nova e segunda em relação à liberdade confusa da espontaneidade, é a um só tempo criação e ruptura. Ela inaugura um novo desejo e regozija-se por isso mesmo de uma nova existência, em que o sujeito renasce e dá início a si mesmo” (Misahi, 1999, 46).  Devemos ser, portanto, plenamente sujeitos de nossa felicidade. Não sujeitos abstratos, mas sujeitos conscientes de nossa busca  rumo à satisfação plena de nossos desejos. Devemos seguir o conselho da enfermeira Bronnie, “a vida é uma escolha. É a sua vida. Escolha conscientemente, escolha sabiamente, escolha honestamente. Escolha a felicidade”.
Bibliografia
MISHAHI, Robert. A felicidade é nosso único objetivo. In: Le Nouvel Observateur, Café Philo. Rio de Janeiro: Zahar, 1999, p.43-47.
NIETZSCHE, Friedrich. W. Ecce Homo. Trad. Paulo César Souza. São Paulo: Companhia da Letras, 2008.
SCHOPENHAUER, Arthur. Dores do Mundo. Disponível em < http://pt.scribd.com/doc/58683158/Arthur-Schopenhauer-Dores-Do-Mundo> acesso em Janeiro de 2013.
WARE, Bronnie.  Regrets of the Dying. (Official Site).  Disponível em < http://www.inspirationandchai.com/Regrets-of-the-Dying.html> acesso em Janeiro de 2013.

A FILOSOFIA É EM SUA ESSÊNCIA REVOLTA


A filosofia é em sua essência revolta, uma vez que ela é pensamento crítico e radical sobre a realidade. Seu objetivo é desfazer os nós dos problemas. A filosofia procura tornar claro aquilo que é obscuro.  Ela é um discurso reflexivo sobre a realidade, e sobre toda forma de crença e misticismo. Ela busca a clareza para lançar luz sobre a penumbra. Por este motivo, não há filosofia sem revolta. A revolta surge quando tudo se torna claro, quando por um ato de intuição nós chegamos à verdade. Quando nos damos conta da mentira e da ilusão nos revoltamos. É a clareza da verdade que nos perturba. Os gregos entendiam a verdade como “Alethéia”, ou seja, como aquilo que se desvela, aquilo que se descobre. Não há revolta sem esclarecimento, não há revolta sem verdade. O objetivo da filosofia, portanto, é levar os indivíduos à revolta, à verdade.  A revolta nos torna humanos, nos liberta da experiência alienante em que vivemos. “E conhecereis a Verdade, e a Verdade vos libertará” (João 8:32).  A revolta nos faz pensar sobre nossas circunstâncias. Ortega Y Gasset já dizia que o homem rende o máximo de sua capacidade quando adquire consciência de suas circunstâncias. É por meio das circunstâncias que o homem se comunica com o universo. Foi isso que fizeram os gregos quando começaram a filosofar.   Quando os pré-socráticos deram a primeira demonstração lógica e materialista para os fenômenos da natureza, isso significou o primeiro ato de revolta na história do pensamento. Eles deram uma explicação racional e sistemática do universo, se revoltaram contra suas circunstancias, contra as ilusões e os preceitos de sua época. Foi a partir daí que o mundo começou a ser desencantado. Quando Sócrates aceitou passivamente sua condenação à morte, por ter colocado idéias subversivas na cabeça dos jovens, isso foi um grande ato de coragem e de grande revolta, uma vez que mostrava aos seus acusadores que eles  não estavam seguindo a ordem justa da pólis (cidade).  Quando Giordano Bruno aceitou passivamente ser queimado vivo por conceber um mundo infinito, isso também foi um grande ato de coragem e de grande revolta, uma vez que mostrou aos algozes de sua época que num universo infinito o homem não é um ser privilegiado na ordem do mundo.
       Quando pensamos a filosofia como um ato de revolta,  lembramos-nos de imediato de um texto de Deleuze, em “Nietzsche e a Filosofia”. Segundo Deleuze, “quando alguém pergunta para que serve a filosofia, a resposta deve ser agressiva, visto que a pergunta pretende-se irônica e mordaz. A filosofia não serve nem ao Estado, nem à Igreja, que têm outras preocupações. Não serve a nenhum poder estabelecido. A filosofia serve para entristecer. Uma filosofia que não entristece a ninguém e não contraria ninguém, não é uma filosofia. A filosofia serve para prejudicar a tolice, faz da tolice algo de vergonhoso. Não tem outra serventia a não ser a seguinte: denunciar a baixeza do pensamento sob todas as suas formas. Existe alguma disciplina, além da filosofia, que se proponha a criticar todas as mistificações, quaisquer que sejam sua fonte e seu objetivo? Denunciar todas as ficções sem as quais as forças reativas não prevaleceriam. Denunciar, na mistificação, essa mistura de baixeza e tolice que forma tão bem a espantosa cumplicidade das vítimas e dos algozes. Fazer, enfim, do pensamento algo agressivo, ativo, afirmativo. Fazer homens livres, isto é, homens que não confundam os fins da cultura com o proveito do Estado, da moral, da religião. Vencer o negativo e seus altos prestígios. Quem tem interesse em tudo isso a não ser a filosofia? A filosofia como crítica mostra-nos o mais positivo de si mesma: obra de desmistificação. (…) A tolice e a bizarria, por maiores que sejam, seriam ainda maiores se não subsistisse um pouco de filosofia para impedi-las, em cada época, de ir tão longe quanto desejariam, para proibi-las, mesmo que seja por ouvir dizer, de serem tão tolas e tão baixas quanto cada uma delas desejaria. ( Deleuze, 1976, p. 87).  A filosofia como pensamento reflexivo é, portanto, libertadora.  Ela não se submete a nenhuma forma de poder, seja religioso, político ou ideológico. A razão é a faculdade que julga, analisa, discerne e compara, nesse sentido, sua característica fundamental é o livre pensar. É somente através da reflexão que o homem pode sair de sua “menoridade”, alcançando autonomia e liberdade para guiar sua vida. É somente através da reflexão que a humanidade poderá um dia reivindicar um mundo mais justo e feliz.
 Bibliografia
 Deleuze, Gilles. Nietzsche e a filosofia, Ed. Rio, Rio de Janeiro, 1976.
Ortega Y Gasset, J. Meditações do Quixote. São Paulo: Iberoamericana, 1967.

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quarta-feira, 26 de abril de 2017

O MEDO DE SER LIVRE PROVOCA O ORGULHO EM SER ESCRAVO

Há no homem um desejo imenso pela liberdade, mas um medo ainda maior de vivê-la. Algo parecido disse Dostoiévski, ou talvez eu esteja dizendo algo parecido com o dito pelo escritor russo. No entanto, como seres significantes que somos, analisamos as coisas sempre a partir de uma determinada perspectiva e, assim, passamos a atribuir-lhes valor. Dessa maneira, até conceitos completamente opostos, como liberdade e escravidão, podem se confundir ou de acordo com o prisma de quem analisa, tornarem-se expressões sinônimas, como acontece no mundo distópico de George Orwell, 1984, em que um dos lemas do partido – “Escravidão é Liberdade” – é repetido à exaustão.
Não à toa, as boas distopias têm como grande valor predizer o futuro. E em todas elas – 1984, Admirável Mundo Novo, Fahrenheit 451, Laranja Mecânica – há um ponto em comum: a liberdade dos indivíduos é tolhida e, consequentemente, convertida em escravidão. No entanto, através de mecanismos sócio-políticos a escravidão é ressignificada como liberdade, de modo que mesmo tendo a sua liberdade cerceada, os indivíduos entendem gozarem plenamente desta.
Nas histórias supracitadas, embora a maior parte da população esteja acomodada e aceite com enorme facilidade absurdos, existem indivíduos que se permitem compreender as suas reais situações e ousam lutar contra a ordem estabelecida. Esse processo é, todavia, extremamente doloroso, uma vez que é muito mais fácil se acomodar a enfrentar a realidade e todas as consequências dolorosas que enfrentamos invariavelmente quando decidimos sair da caverna, para lembrar Platão.
Posto isso, há de se considerar que ser verdadeiramente livre requer a responsabilidade de encarar o mundo sem fantasias, ou seja, tal como ele é. Dessa forma, existe no homem grande suscetibilidade a aceitar o irreal como real, a fantasia como verdade, a Matrix como o mundo real. Sim, Matrix é um grande exemplo do medo que possuímos de encarar a realidade. No personagem de Cypher (Joe Pantoliano) encontramos o maior expoente desse comodismo, já que sendo a realidade um mundo destruído, um caos constante, é muito melhor viver na Matrix, onde ele “pode ser o que quiser”, ainda que não passe de uma grande mentira.
Em outras palavras, Cypher representa a ideia de que sendo a realidade algo tão assustador, a ignorância é uma benção, pois sendo ignorante, pode-se comprar mentiras como verdades facilmente, bem como, aceitar a Matrix como realidade e a escravidão como liberdade.
As realidades apresentadas no mundo das artes (ficções, que ironia), refletem a nossa própria realidade, em que, assim como Cypher, temos preferido viver vidas fantasiosas, cercadas de superficialidade e aparências, determinadas pelo hedonismo da sociedade de consumo e, consequentemente, o nosso egoísmo ganancioso buscando galopantemente realizar todos os desejos que impedem de acordarmos de um sonho ridículo.
Apesar de tudo isso, pode-se considerar que de fato é melhor ser um escravo feliz do que um ser livre, triste, inconformado e amedrontado. No entanto, a problemática ganha corpo na medida em que se entende que há coisas que só podem ser feitas sendo o sujeito livre, uma vez que a gaiola é sempre limitadora, sobretudo, aos desejos mais intrínsecos e, portanto, mais latentes e verdadeiros no ser. Assim, por mais que a escravidão seja ressignificada, fantasiada e “transformada” em liberdade, sempre haverá pontos em que o indivíduo sentirá necessidade de alçar voos mais altos, os quais, obviamente, não poderão ser realizados, haja vista a limitação das gaiolas, o que implica a insatisfação, ainda que tardia, da condição escrava em que o indivíduo se encontra.
Sendo assim, constatamos que “O medo de ser livre provoca o orgulho em ser escravo”*, posto que para gozar a liberdade é preciso coragem para se arriscar no terreno das incertezas e da luta. E, assim, temos preferido permanecer na caverna, orgulhosos das nossas sombras, já que lembrando outra vez Dostoiévski – “As gaiolas são o lugar onde as certezas moram”. Entretanto, como disse, mais hora, menos hora, nos enxergamos e percebemos que o que nos circunda é falso, de tal maneira que desejamos sair, correr, voar, ser livres.
O grande problema nisso é que quando se acostuma a viver em uma gaiola, quando se é livre perde-se a capacidade de voar, pois as correntes que nos prendem são criadas pelas nossas mentes, de forma que mesmo fora da caverna, continuamos prisioneiros de uma mente que se acostumou a ser covarde e preferiu acreditar na contradição de que ser escravo era o maior ato de liberdade.

*A frase que da título ao texto é de autoria desconhecida. Se alguém souber a real autoria, por favor, avise-nos.