JOHN LOCKE

"todos os homens, que, sendo todos iguais e livres, nenhum deve prejudicar o outro, quanto à vida, à saúde, à liberdade, ao próprio bem". E, para que ninguém empreenda ferir os direitos alheios, a natureza autorizou cada um a proteger e conservar o inocente, reprimindo os que fazem o mal, direito natural de punir"

FRIEDRICH HAYEK

“A liberdade individual é inconciliável com a supremacia de um objetivo único ao qual a sociedade inteira tenha de ser subordinada de uma forma completa e permanente”

DEBATES FILOSÓFICOS

"A filosofia nasce do debate, se não existe a liberdade para o pensar, logo impera a ignorância"

A Filosofia é.....

"Viver sem filosofar é o que se chama ter os olhos fechados sem nunca os haver tentado abrir". Descartes

LIBERDADE

"Liberdade, Igualdade , Fraternidade. Sem isso não há filosofia. Sem isso não há existência digna.

"Nós temos um sistema que cobra cada vez mais impostos de quem trabalha e subsidia cada vez mais quem não trabalha"

LUDWING V. MISES

"O socialismo é a Grande Mentira do século XX. Embora prometesse a prosperidade, a igualdade e a segurança, só proporcionou pobreza, penúria e tirania. A igualdade foi alcançada apenas no sentido de que todos eram iguais em sua penúria"

terça-feira, 28 de setembro de 2010

A MORAL DO DEVER EM KANT

A doutrina moral de Kant é independente de qualquer sentido religioso. Sua moral tem como objetivo a intenção, e o dever não é uma obrigação a ser seguida em virtude de um ente superior. Intenção e dever (em Kant) dependem do sujeito epistemológico (eu transcendental) e não do eu psicológico (indivíduo). Para Kant, o sujeito transcendental trata-se de uma maquinaria (aparelho cognitivo) subjetiva, universal e necessária (presente em todos os homens, em todos os tempos e em todos os lugares). Assim, todo ser saudável possui tal aparato, formado por três campos: a razão, o entendimento (categorias) e a sensibilidade (formas puras da intuição-espaço e tempo). Em Kant, a razão (faculdade das idéias) é que preserva os princípios que articulam intenção e dever conforme a autonomia do sujeito. Desse modo segue-se que tais princípios não podem ser negados sem autocontradição. Daí deriva a idéia de liberdade kantiana, de um caráter sintético a priori, sendo que sem liberdade não pode haver nenhum ato moral; para sermos livres, precisamos ser obrigados pelo dever de sermos livres.

O imperativo categórico
O comando moral que faz com que nossas ações sejam moralmente boas, se expressa no imperativo categórico: “age só segundo máxima tal que possas ao mesmo tempo querer que ela se torne lei universal” (FMC, 2004, p.51). Essa lei está atada à razão pura prática. Todo sujeito é racional (tem raciocínio lógico), por isso tem condição de sujeito moral, dotado de normas. Exercer uma ação contrária levaria ao absurdo. O exemplo que Kant nos dá (FMC) a respeito da mentira é o mais conhecido. Poderia alguém mentir em benefício próprio, de um ente querido, ou mesmo em favor da humanidade? Kant, nos diz não, pois a mentira jamais poderia ser universalizada sem autocontradição: (...) pois, segundo essa lei, não poderia haver propriamente promessa alguma, já que seria inútil afirmar a minha vontade quanto a minhas futuras ações, pois as pessoas não acreditariam em meu fingimento, ou, se precipitadamente o fizessem, pagar-me-iam na mesma moeda. Portanto, a minha máxima, uma vez arvorada em lei universal, destruir-se-ia a si mesma necessariamente (Kant, FMC, 2004, p.31). Desse modo, cada sujeito, tem um alarme acionado na sua consciência moral (com a razão pura prática funcionando), que evidencia essa contradição, alertando que essa ação deve ser refutada, visto que essa ação não pode servir para todos. Assim, consultando a razão pura prática (como deveria alguém agir na minha situação?), constataremos que se todos se utilizassem dessa ação, o mundo seria um verdadeiro caos. O imperativo categórico em Kant é uma forma a priori, pura, independente do útil ou prejudicial. É uma escolha voluntária racional, por finalidade e não causalidade. Superam-se os interesses e impõe-se o ser moral, o dever. O dever é o princípio supremo de toda a moralidade (moral deontológica). Dessa forma uma ação é certa quando realizada por um sentimento de dever. A razão é a condição a priori da vontade, por isso independe da experiência.

Diferenças entre os imperativos
Todos os imperativos ordenam, e são fórmulas para exprimir as relações entre as leis objetivas do querer em geral, e a discordância subjetiva da vontade humana. Imperativo é hipotético: no caso de a ação ser apenas boa como meio para qualquer outra coisa, ou seja, em vista de algum propósito possível ou real. A habilidade na escolha dos meios para atingir o maior bem-estar próprio pode-se chamar sagacidade. Por exemplo, a escolha dos meios para alcançar a própria felicidade (não é um ideal da razão, mas da imaginação), continua sendo um imperativo hipotético (considerados mais como conselhos). Imperativo Categórico: não é limitado a nenhuma condição, é um mandamento absoluto (necessário), vale como princípio apodíctico-prático (da razão). Segue-se que somente o imperativo categórico equivale a uma lei prática, e os outros imperativos podem ser denominados de princípios da vontade, mas não leis. Pois, conforme nos diz Kant “o mandamento incondicional não deixa à vontade nenhum arbítrio acerca do que ordena, só ele tendo, portanto, em si, aquela necessidade que exigimos na lei” (FMC, 2004, p. 50).

As fórmulas do Imperativo Categórico

Além da fórmula da universalidade da lei, que vimos no que foi exposto anteriormente temos duas outras fórmulas: baseada na humanidade como fim: Kant afirma que todo o ser racional, existe como fim em si mesmo, e não apenas como meio para uso arbitrário desta ou daquela vontade. Assim o imperativo prático será o seguinte: “age de tal maneira que possas usar a humanidade, tanto em tua pessoa como na pessoa de qualquer outro, sempre e simultaneamente como fim e nunca simplesmente como meio” (FMC, 2004, p. 59). Baseada na vontade legisladora universal: a vontade da ação deve ser vista como um dever, ou seja, a idéia da vontade de todo ser racional concebida como vontade legisladora universal. Segundo esse princípio, Kant afirma:
A vontade não está, pois, simplesmente submetida à lei, mas o está de tal maneira que possa ser também considerada legisladora ela mesma, e precisamente por isso então submetida à lei (de que ela mesma pode ser considerada como autora - FMC, 2004, p. 62).





Uma Especificação de Fato de Razão e Liberdade nas ações
O fato de razão se revela na decisão e não na contemplação. Contemplamos todas as características possíveis, nossas motivações pessoais, as circunstâncias do momento, e nos perguntamos novamente: “o que eu deveria fazer?” Depois de ter a convicção de ter levado tudo em conta, tomar uma decisão por mais difícil que seja, isso corresponde ao fato de razão. Essa maneira o fato de razão é apresentado mediante nossa reflexão (avaliação) de nossas máximas como princípio de vida. Os princípios diversos da própria razão, baseados em motivos invertidos constituem o que chamamos de mal (transgressão dos limites da razão). E na maldade a avaliação que se faz dos pensamentos é corrompida na origem. Como se vê, a razão pura é uma razão livre de motivos empíricos ou particulares, sem interesses do que se pode conseguir com tal ato. E a razão empírica se reduz aos nossos interesses, com base na experiência, em que criamos conceitos de como satisfazê-los. A liberdade consiste na decisão, que leva em consideração padrões universais aplicáveis que estabeleçam a harmonia coletiva. Assim, o indivíduo encontra em si mesmo os padrões universais que ele consegue exteriorizar. A liberdade exige que a pessoa tome sua decisão baseada em si mesma, partindo de uma visão exterior, que ela vislumbra do seu próprio interior, afirmando sua individualidade. A aplicabilidade de conceitos morais para nós, é conseqüência de nossa liberdade. Ao tomarmos consciência de nossos impulsos, desejos e suas motivações nos confrontamos se iremos atendê-los ou não, e daí é que parte a nossa liberdade, no confronto de uma questão; faremos as nossas escolhas através de uma avaliação. E, se do contrário, não fizermos o confronto (a análise), atendendo prontamente aos nossos instintos, ainda assim, teremos tomados uma decisão, que foi conseqüência de nossa liberdade num posicionamento moral.

A liberdade humana é o fundamento de nossas ações e princípios de vida, fazendo parte essencial na prática moral. Não havendo determinação imediata da razão, no valor moral da ação, o próprio conceito de razão prática é questionável. Pois, se ela não é imediata, não é pura, admitindo inclinações. Para que as leis existam, a vontade deve estar fundada na razão, do contrário só teremos princípios práticos baseados na subjetividade. Podemos verificar que o solipsismo vem a ser uma relação patológica consigo mesmo. Trata-se de nosso sistema de inclinações (desejos, impulsos) guiados pelo amor de si ou felicidade própria. E amor de si corresponde a arrogância (presunção), amor próprio. Portanto, a razão prática não pode ser solipsista, pois se baseia na moral prática entre os homens, nas ações livres segundo as máximas, que se convertem em uma lei universal. O único amor que pode ser ordenado é o amor prático, que reside na vontade, não patológico, sem inclinações, mas por dever (ama teu próximo, até teus inimigos).

Considerações finais
Em Kant o dever é a necessidade de uma ação por respeito à lei. E uma ação por dever elimina todas as inclinações (todo o objeto da vontade), e, portanto, só resta à vontade obedecer à lei prática (baseada na máxima universal), pois trata-se de um princípio que está ligado à vontade. O valor moral da ação não reside no efeito que dela se espera, pois o fundamento da vontade é a representação da lei e não o efeito esperado (uma boa vontade não é boa pelo que promove ou realiza, mas pelo simples querer, em si mesma). A ética kantiana é a ética do dever, autocoerção da razão, que concilia dever e liberdade. O pensamento do dever derruba a arrogância e o amor próprio, e é tido como princípio supremo de toda a moralidade.

Referências Bibliográficas

KANT, Immanuel.Fundamentação da metafísica dos costumes. In: Pensadores II. Trad. Paulo Quintela. São Paulo; Abril Cultural, 1974.

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

DEUS NA FILOSOFIA DE AGOSTINHO

Na epistemologia de Agostinho Deus e alma se tornam o ponto central para o problema da verdade. A preocupação de Agostinho desde o inicio de seus escritos era refutar o ceticismo o qual afirmava que todo o conhecimento tinha sua origem na percepção sensível. Como os sentidos fornecem dados variáveis não podia encontrar bases para a certeza. Para Agostinho, a superação do ceticismo inicia quando uma certeza é conquistada. Certeza esta da própria existência, da qual ele tira uma verdade superior e imutável. Agostinho estabelece um conhecimento humano, ou seja, ele encontra uma base segura para que a verdade esteja alicerçada. Os recursos que ele utiliza para buscar a verdade podem ser classificados como matemática lógica e a consciência do “cogito”, semelhantes à de Descartes. Descartes tem como objeto o “Pensamento”, Agostinho a “Alma”, mas ambos buscam no interior do sujeito. Agostinho afirma que apesar de todas as duvidas e incertezas existe uma verdade que é inquestionável, que é a existência da dúvida. Através deste “cogito” ele se depara com a existência do “eu” que se revela na evidência imediata da consciência. Agostinho, dentro da história, é o primeiro a falar da existência de Deus no próprio sujeito que dúvida abalando assim as bases do ceticismo e construindo uma epistemologia focada na 1º pessoa, valorizando o “eu” na filosofia.

Sobre este enunciado Agostinho empenha todos os seus esforços para fundamentar que a verdade está além do “cogito”, e que pode ser encontrada no transcendente, no eterno. Essa argumentação do “cogito” que atinge a verdade transcendente e eterna, trata-se do ponto de partida para a busca da verdade que Agostinho procura. A filosofia agostiniana apresenta-se de forma antropológica que tem como objeto a busca da verdade e felicidade. Em seu diálogo “A vida feliz” ele defende que a verdadeira felicidade está em Deus; ou seja só é feliz quem possui a Deus. Desta forma, a busca da verdade e felicidade é canalizada em Deus. Através da posse da verdade o homem se torna feliz.

A partir dessa preposição, Agostinho, que jamais duvidou da existência de Deus, se vê diante de um problema. Como encontrar a Deus? Por isso a busca de Agostinho não é encontrar a Deus, mas como encontrá-lo. Após suas investigações perturbadoras, ele entende que a verdade para chegar a Deus está no próprio interior do homem. Assim, a alma é imprescindível na epistemologia de Agostinho, visto que Deus está na alma, ou seja, o caminho para buscar a verdade passa pela a interioridade do homem, em que, o sujeito deve realizar uma busca sobre si mesmo. A mente, inteligência ou razão são atributos que o homem possui de mais elevado na alma. É somente neste lugar que se pode encontrar a Deus e conseqüentemente a verdade e felicidade.

Através da interioridade do homem que é a passagem segura, Agostinho chega a três conceitos de verdades: 01- que ele vive, 02 - existe e 03 - pensa. Ao abordar o conhecimento sensível e a sensação dentro da esfera do existir, Agostinho enfatiza que o conhecimento do sujeito está na relação do sujeito como objeto. E que não é o objeto que produz conhecimento ao sujeito, mas, pelo contrário, é o sujeito através da sensibilidade dos objetos. Desta forma, caracterizando que não é o corpo sobre a alma, mas alma sobre o corpo. Dentro desta dualidade Agostinho sentencia dois tipos de luzes, uma que é corporal relativa aos sentidos e outra que é espiritual relativa do interno. Agostinho não tem o corpo como algo negativo, pois o corpo também faz parte da natureza humana, mas, enfatiza que o sujeito não deve deixar os sentidos externos reinar sobre os sentidos internos; pois os sentidos externos obstruem o sujeito de atingir o terceiro sentido que é a razão que é o mais importante, pois através dela o sujeito sabe que pensa e existe.

No entanto, a razão pura para Agostinho não é suficiente para o sujeito alcançar as verdades eternas e transcendentes, necessitando assim, da iluminação divina, uma vez que as verdades eternas e imutáveis já estão na memória do homem, não por reminiscência, mas pela iluminação de Deus na mente humana. Uma vez que o conhecimento não se da apenas pela razão, acontece uma fusão entre fé e razão. Desta relação de fé e razão surge a máxima de Agostinho: “crer para compreender e compreender para crer melhor” .

Estas verdades eternas e imutáveis que já está na memória do homem, conforme citado no parágrafo acima; também faz parte da epistemologia de Agostinho, pois o mesmo faz menção da memória para alcançar a Deus. Uma vez que no livro X das confissões Agostinho coloca a memória como condição de possibilidade de conhecimento; uma vez que a memória assegura a existência de Deus. Enquanto a razão assegura a existência do “cogito”, a memória assegura a existência de Deus, pois a memória segundo Agostinho, é a priori. Na medida em que busca a Deus na memória o homem está em construção de um processo de interioridade; e na busca de si mesmo ele se lança no transcendente.

Por fim, a verdade por sua vez pertence unicamente a Deus, e, que o homem penetrado em seu próprio interior e aprofundado em seu espírito pode encontrar aspectos que lembrem a imagem divina do qual é portador. Por isso o desejo de Agostinho é que o homem pergunte a si mesmo para poder compreender-se. Assim, a antropologia de Agostinho não se fecha em si mesmo como na antropologia de Nietzsche e Sartre, mas se abre para a transcendência. Pois o homem só se realiza, em ultima instância, na transcendência e só através dela o homem pode compreender seu ser autêntico e seu verdadeiro significado.

Sergio Adriano

COMUNITARISMO PLATÔNICO E A CRÍTICA POR ARISTÓTELES

Partindo do princípio de que as pessoas são diferentes e por isso devem ocupar lugares e funções diversas na pólis Platão imaginavam que o Estado e não a família deveria incumbir da educação do indivíduo. Para isso Platão propõe-se a estabelecer uma forma de comunitarismo em que é eliminada a propriedade privada e a família a fim de evitar a cobiça e os interesses decorrentes de laços afetivos, além de degenerencias das ligações inadequadas. O Estado orientaria através da eugenia para evitar união conjugal entre desiguais, oferecendo as melhores condições para a reprodução e ao mesmo tempo promovendo a educação coletiva dos filhos que nascesse desta união. Para Platão a um mal para cidade, tornar-se múltipla em vez de una . Para que a cidade contemple o bem deve torna-se apenas unitária. Uma vez que a propriedade privada gera o individualismo e o crescimento da cidade é qualitativo e não quantitativo para Platão.

Na polis platônica o indivíduo criava um tipo de identidade pública em que o particularismo representado através da propriedade privada como casamento, riquezas, família e educação dos filhos proporcionaria a dilaceração da unidade ética da pólis. No comunitarismo de Platão as expressões “isto é meu” e “isto não é meu” constitui um tipo de comportamento em que o indivíduo expressa uma pólis totalmente una. Nesta visão comunitarista da mesma forma que um membro do corpo machucado interfere em todo desenvolvimento do corpo assim é o indivíduo que não encarnou o princípio do comunitarismo, comprometendo toda a pólis. Estes conceitos de comunitarismo fica mais claro e evidente em 463c “ o que é dos amigos é como se fosse deles”. O que mostra que na sociedade platônica tudo seria comum que o indivíduo partilha de tudo desde pena até os prazeres 464 a.

A causa maior do bem da cidade está em ser comunidade. A privatização quebraria a hegemonia em que o cidadão deixaria de ser parte do corpo da pólis, para ser indivíduos da pólis, desfragmentado a unidade ética; pois o verdadeiro crescimento se dá na virtude do todo; e o crescimento mais correto e o crescimento que se dá na unidade e não na multiplicidade.

Na Política, Aristóteles vai construir sua teoria política enfatizando uma crítica a o comunitarismo platônico. Aristóteles compreende que realmente existe um comunitarismo na cidade, aliais os homens na cidade compartilham o mesmo território. No sistema de Aristóteles algumas coisas são partilhadas outras não a exemplo: mulheres, família e filhos, como são compartilhado em Platão. Para Aristóteles a comunidade é uma forma de vida e o bom viver na sua forma de vida mais perfeita. Sua crítica ao comunitarismo platônico inicia-se ao enfatizar que quanto mais unitária uma cidade se torna, com toda certeza deixara de ser cidade. Segundo Aristóteles a cidade ao contrário de Platão é um pluralidade de indivíduos, diferentes e não uma cidade de indivíduos autenticamente iguais. A crítica aristotélica sobre o comunitarismo platônico em tese é que Platão defende a “unidade e formalidade” ao passo que Aristóteles defende a “unidade e diversidade”, “pois uma sociedade não nasce de indivíduos idênticos”

Assim a cidade é uma unidade diversificada, e que a auto-suficiência da cidade só é possível diante de uma diversidade de funções. Para Platão a idéia de uma cidade múltipla contribui para a dilaceração da ética. Em Aristóteles à medida que todos perdem a propriedade privada e o comunitarismo é levado as extremo ultrapassando a falta e excesso o indivíduo perde o zelo pela propriedade pública “Quanto mais uma coisa é comum a um maior numero, menos cuidado recebe” , pois o que é de todos por final não é de ninguém.

Em sua fundamentação teórica sobre a cidade de indivíduos autênticos e sua crítica platônica, Aristóteles conceitua a “Amizade”. A amizade é uma unidade bipolar em que se procura no outro a diferença. Já em Platão é uma unidade “Unipolar” em que vê no outro a igualdade. Através da amizade Aristóteles está privilegiando a particularidade a bipolaridade e a multiplicidade do indivíduo; algo que não existe na polis de Platão em que as diferenças são destruidoras. Na República de Platão a um assassinato em massa da particularidade, pois reduzir o outro a mim, é matá-lo. Mas a amizade para Aristóteles é uma relação unitária que não anula as diferenças uma vez que a amizade é uma relação de afirmação e propriedade.

A FINALIDADE DA LINGUAGEM EM AGOSTINHO

Quando se fala quer ensinar ou aprender. Uma vez que a finalidade da palavra é dupla; ensinar ou para suscitar recordações. Seja da parte do falante ou do ouvinte, o que está em perspectiva é ensinar através da linguagem. O falar é dar exterioridade ao sinal da vontade, por meio da articulação dos sons. Supostamente não podemos assegurar que um sinal seja destituído de ensinamentos. Mesmo sem omitir sons ainda assim falamos; enquanto em nosso intimo pensamos as próprias palavras, a memória adere, fazendo com que venha a mente à coisa das quais vêm o significado.

Em tese Agostinho defende que todo o sinal representa algo. Por esta causa conceitua-se que o sinal e portador de linguagem. Uma vez que através da linguagem e dos sinais permitem correlacionar às coisas. Neste caso a linguagem é a expressão de sinais que tenha sentido. Um dos grandes questionamentos de Agostinho é saber como se da à aquisição da linguagem. Ele enfatiza que essa aquisição se dá na interpelação; através de palavras; sinais e nome. A palavra seria um sinal do nome, ou seja; a palavra significa a própria palavra; exemplo “cavalo”. A palavra também significa outros sinais; exemplo: “Um gesto qualquer”. E por fim a palavra significa coisas que não são sinais exemplo: “Paulo” Por fim a palavra também é um nome, que não contém o sentido da coisa em si.

Já o nome também é palavra, o qual está imbricado no sentido da coisa, o seu agregado e que da sentido. Por isso que nome é sinal da coisa; exemplo “mar”; o mar é sinal de si próprio. O nome seria aquilo que mediante articulação de voz tem algum significado; e que todos os nomes são palavras, mas nem todas as palavras são nomes. Já os sinais são tudo o que significa algo. O que dizemos nada mais é que sinais, e da boca sai não à coisa que é significada, mas o sinal com que a significamos. Vale lembrar também que nem todos as palavras são sinais.

O que se pode conceituar de forma subjetiva em ralação a finalidade da linguagem; é que o nome precisa da coisa, para que possa esse nome ter sentido.O nome é preferível à coisa; a coisa sem o nome não tem sentido. O conhecimento da palavra necessariamente não quer dizer nada que a coisa realmente é em si; exemplo: “coragem” só o conhecimento do nome não quer dizer nada sobre o que a coisa realmente é em si. O conhecimento da coisa é preferível; uma vez que o conhecimento da coisa produz um melhor entender da coisa em si. Pois é através da coisa que eu aprendo o significado, e não do significado que esta na palavra. Uma vez que segundo Agostinho o nome é aquilo que representa a coisa na sua plenitude; e a palavra e aquilo que substitui a coisa, mas não na sua plenitude, ou seja, menos plena. Não aprendemos pelas palavras, pois não trazem o significado. Só depois de conhecer a coisa em si, consegue o conhecimento da palavra. Ao contrário ouvindo somente as palavras não aprenderemos nada; pois toda a coisa que o sujeito aprende é pelo sentido do corpo ou pela mente, a primeira chama de sensíveis e a segunda de inteligíveis.

Em suma a palavra tem uma função de incitar. Por isso no mundo sensível é a coisa que ensina. Através disso podemos entender que existe uma estrutura inativa no processo de aquisição da linguagem, que leva a entender que quem ensina é a coisa que brota do significado. Não há comunicação entre dois sujeitos; se ambos não possuem as mesmas regras gramaticais, pois só se interage com o outro a partir da linguagem.

ILUMINISMO E MENORIDADE NO PENSAMENTO DE KANT

O conceito de iluminismo no alemão pode ser interpretado como esclarecimento. Esse esclarecimento é a contraposição à ignorância; por isso o “Iluminismo” tem haver com as luzes. Ser esclarecido é ser iluminado é deixar de ser ignorante. O conceito do iluminismo está intrinsecamente ligado a René Descartes. O pensamento de Descartes desenvolvido sobre tudo do discurso sobre o método (1637) fundamenta-se numa primeira evidência; “penso; logo existo”, a partir da qual já era possível a aquicisão de novas idéias. A garantia da certeza das novas ideais se produzia quando cumpriam a condição de serem claras, distintas e não contraditórias. A partir desse método e de suas preposições pode-se dispensar dados empíricos, e sua aplicação às ciências físicas conduziram, no século XVII, a uma crescente confiança na capacidade do intelecto humano para compreensão do mundo.

Após Descartes a filosofia deixa de ser essencialistas e passa a ser antropocêntrica sobre a visão do mundo. Para a filosofia antropocêntrica quem existe, é o sujeito. Surge a afirmação do sujeito em que ele toma consciência do seu poder e afirma sua autonomia perante o transcendente. O sujeito auto se afirma diante da razão para entender sua existência. Neste contexto a busca não é mais sobre a essência necessariamente, mas sim pela ordem, pelo cálculo, pela harmonia, etc. Tudo começa em Descartes que instaura a dúvida enfatizando que o que existe; sou “eu e os meus pensamento”. Galileu também revoluciona o mundo e fortalece mais ainda o antropocentrismo/iluminista ao afirmar que o mundo está escritos em caracteres matemáticos; e que o grande livro é a natureza; a qual precisa ser estudada a partir de enunciados lógicos através da razão para ser explicada, já não cabe mais a idéia de teocentrismo.

O iluminismo é o empenho da luta contra a ignorância, o qual questionou os valores que se constituíam invioláveis; mas que na verdade eram valores constituídos através dos eventos históricos, empíricos, elaborados por convenções é impostos como universais e não passível de questionamentos. O iluminismo é a disposição para crítica e reflexão; sua distinção é a luta contra o obscurantismo. Através da história houve várias manifestações de iluminismo; o qual despertou o indivíduo para uma atitude individual, tornando-o plenamente consciente sobre o que significa existir; é o sujeito decidido a pensar sobre si próprio que começa a tomar consciência da significação da sua existência.

O iluminismo (Esclarecimento) tem como base o sujeito que começa a conscientizar de sua racionalidade; e que não é por acaso que o sujeito é racional, mas faz parte de sua natureza de ser destinado a razão. Kant aborda uma defesa do sujeito como ser racional. Mas também levanta um problema filosófico o qual deseja explicá-lo. O problema está relacionada a desarmonia do sujeito racional com o seu mundo existencial. Kant enfatiza que se o mundo é o que é; e sendo o ser humano racional; como explicar porque o mundo é o que é? Diante dessa situação Kant afirma “ O Iluminismo é a saída do homem da sua menoridade de que ele próprio é culpado” o que demonstra tão unicamente uma incompetência intelectual; pois se o sujeito sendo livre e racional, ainda continua sendo menor, é porque não tomou uma atitude contra essa situação de menoridade, ou seja a ignorância. A possibilidade de esclarecimento e a saída do sujeito de sua condição de menoridade tem como pressuposto para Kant uma teoria da liberdade. E à saída do homem da sua menoridade de que ele próprio é culpado; é tão somente culpa do sujeito, pois mesmo sendo livres e racionais continua a ser menor.

A menoridade do homem implica-se na incapacidade de servir-se de seu próprio entendimento, ou seja; a menoridade é o fato de não usar a própria razão. Essa omissão de sua própria razão; implica-se na questão de fazer da orientação de outro, a qual aliena, manipula e oprimi a si mesmo; com o seu próprio consentimento. A menoridade causada por sua própria culpa; não implica apena na falta de entendimento; mas principalmente pela “Preguiça e Covardia”; que priva o sujeito de usar sua razão; e de andar com suas próprias pernas e de se servir de si mesmo. A preguiça e covardia proporcionam uma sensação que é tão cômodo e confortável ser menor, pelo fato de dar menos trabalho, em que a existência transforma-se em uma mesmice e num estado de inércia que tudo está bem e confortável; o que o leva a um estado de anestesia mental. No limite pode-se conceituar que o iluminismo é uma disponibilidade do sujeito em tornar-se esclarecido fazendo uso de sua racionalidade; ao passo que a preguiça e a covardia são um comportamento contrário em que há uma disposição de não usar a racionalidade. Esse comportamento é uma negação das possibilidades de ser esclarecidos; pois tal esclarecimento só acontece com a saída do sujeito de sua menoridade, que implica no empenho da racionalidade por parte do próprio sujeito.

O abandono da preguiça e da covardia e o empenho da racionalidade por parte do próprio sujeito é o que possibilita compreender a modernidade como processo de abertura por isso a posição de Kant era exatamente coerente, porque acreditava que a “liberdade para pensar; criava a capacidade para agir livremente; embora o inverso não fosse necessariamente necessário”. O processo de abertura desenvolve-se quando a crítica envolvia submeter às crenças religiosas, políticas e até os intelectuais ao seu “livre e público exame” deixando o veredicto para o “acordo de cidadãos livres em que cada um deve exprimir as suas reservas e os mesmo exercer o seu veto sem impedimentos”
No limite a modernidade é entendida como o período de abertura enquanto baseada na possibilidade do esclarecimento do sujeito e da capacidade de agir livremente; alicerçado na crítica. Visto que o esclarecimento é na definição famosa “ a emergência da imaturidade auto-contraída ou da incapacidade para julgar sem a orientação de outrem. Essa emergência de si mesmo pode excepcionalmente ser realizada por indivíduos mas é de maneira preponderante obra de um público no livre uso de sua razão. “O público não deve submeter-se à orientação da religião nem à do estado, mas somente á da sua própria razão”

A característica essencial da modernidade iluminista do século XVIII é se apresentar como movimento de abertura. Tal processo apresenta-se não somente no plano mental, racional ou intelectual; mas também através da cultura e da economia, ou seja, reflete em toda a existencialidade do sujeito. A abertura ao esclarecimento advém com a quebra das organizações fechadas do mundo as quais foram feitas em cima de imposições históricas. Na luta contra o obscurantismo os intelectuais passa a compor princípios embasados em explicações da natureza e consigo próprio o qual gera novas concepções de ver e entender o mundo. Neste tempo a figura do intelectual se torna influente; principalmente na questão da vida pública. Essa influência realizada através da critica dos intelectuais; os quais faziam uso da concepção de liberdade e da razão como parte intrínseca do sujeito. A critica por sua vez rompe com valores das instituições fechadas trazendo sobre o sujeito o esclarecimento e o libertando de um estado em que estava mergulhado no obscurantismo. O que mostra que a atividade intelectual será sempre uma atitude para chegar ao esclarecimento, mas que ao mesmo tempo será sempre uma atividade de honestidade intelectual, consigo mesmo e com os outros. Por esta causa sempre será um atitude de ruptura e de quebra; pois a intelectualidade se torna uma atividade de refletir sobre os conceitos que a massa subjuga como fundamentais, mas que pode ser totalmente estúpidos.

Deve compreender que o iluminismo a modernidade e consequentemente o processo de abertura trata-se de questões as quais requer do sujeito à consciência de seu estado de limitação e a disposição para superá-las. Além da preguiça e da covardia que impõem como limitações ao processo de esclarecimento, existem a questão de uma falsa liberdade em que a sociedade através de seus mecanismos da ao indivíduo a possibilidade de pensar que possui a liberdade pelo simples fato de poder escolher entre marca “A” ou marca “B”. Kant afirma que é muito difícil o homem se desprender na menoridade, pois a mesma quase se tornou uma natureza; por dois motivos: Primeiro pela covardia e preguiça. Segundo pela sociedade. Esse estado de menoridade formado pela incapacidade que o sujeito tem de servir-se do seu próprio entendimento tem grande contribuição da sociedade, que colocou sobre o sujeito preceito, formulas, instrumentos mecânicos que impede o seu lado racional e bloqueia o uso dos dons naturais; a liberdade e racionalidade. Tal tutoria torna-se algo tão forte na existência do sujeito que Kant afirma que o sujeito chega ao ponto de exigir que haja tutores sobre ele. Esse processo de tutoria que a sociedades, as intuições fechadas exercem sobre o sujeito torna-se uma limitação ao esclarecimento; o qual pode ser classificado como na crítica da razão técnica de Adorno e Horhkeimer em “Dialética do Esclarecimento”; como razão instrumental.

Tal estado de menoridade não é algo definitivo; pois pode ser superado, a partir do momento em que o sujeito conscientizar da sua natureza racional, como enfatizou Kant “Tem coragem de servi-te de tua própria inteligência” . Há sobre o homem uma lei que o constrange a ser racional. O que se torna incompreensível o ser humano ser irracional. Pois para ser irracional é propriamente uma luta contra a lei que está imposta para ser racional, ou seja; continuar sendo irracional é literalmente contra a sua natureza. Mas em posse e uso da liberdade terá esclarecimento do seu estado de menoridade; o qual por sua vez o abandonará a falsa natureza, para a natureza verdadeira; como afirma Kant “Que o público se esclareça a si mesmo e perfeitamente possível, mas se for dada à liberdade, é quase inevitável”. Esse uso público da razão pode ser exercido por qualquer um enquanto erudito. O que define o erudito é que no uso público de sua razão obtém uma liberdade ilimitada de servir da sua própria razão, pois está livre da preguiça e da covardia. No limite o esclarecimento que vem como conseqüência da liberdade será sempre uma atitude intelectual. Por isso a questão do iluminismo como a saída da menoridade implica na liberdade de fazer uso público da razão e assim se libertar de tutores estabelecidos da grande massa.

Fundamentação teórica: KANT, Emanuel. Resposta à pergunta: “O que é o esclarecimento”.Trad. Artur Morão Lisboa: Edições 70, s.d

EXISTÊNCIALISMO E HUMANISTA DE SARTRE

Há duas espécies de existencialismo o primeiro existencialismo é o existencialismo teista o qual defende a idéia que “da essência provem a existência”. Tal existencialismo atribui essa essência a uma divindade intitulada como criador superior. Sendo este divindade uma vez superior e criador o qual tem objetivos totalmente estabelecidos quando cria; desta forma o homem quando criado possui uma essência que pode induzi-lo a realizar o que já esta na mente desta divindade. Os existencialistas teista para fundamentar que o homem individual realiza certos comportamentos que já está na inteligência do ser divino enfatizam que este homem possui uma natureza humana; tal natureza encontra-se em todos os homens; o que torna esta figura humana de cada homem particular um conceito universal. Assim para o existencialismo teista esta divindade criadora estabelece ao homem uma forma; que tal forma é entendida pela natureza humana. Tal natureza humana coloca todos os homens sem distinção possuidores das mesmas qualidades de base. Desta forma a essência precede a existência, pois antes de serem criados já exista uma essência.

O existencialismo ateu; logicamente declara que “não existe entidade divina”. Tal definição é a base desde existencialismo; se não existe não há essência primaria.O existencialismo acredita que na existência do ser humano como um ser livre; e o que define sua essência; não é uma essência primaria ou uma natureza humana que determina sua existência. Desta perspectiva usamos a definição de Sartre que a: “existência procede à essência”; podemos conceituar que primeiramente o homem existe, se descobre, surge no mundo; e só então ele se define. Para Sartre o homem não existe com um fim determinado; pelo contrário o homem só será alguma coisa tal como o seu próprio fazer. O ser humano não é apenas como ele se concebe; mas como ele quer que seja; como ele se concebe depois da existência, como ele se deseja após este impulso para existência; o ser humano não é mais que o que ele se faz.

Não há determinismo, o homem é livre, o homem possui total liberdade. Portanto; partindo deste conceito do existencialismo de Sartre; conseqüentemente não há valores divinos pré-determinados a ser seguido, assim não existe uma essência primaria; não existe uma natureza humana que eu possa basear-se nela; não existe um divindade superior a qual faz o homem realizar os conceitos que está na inteligência de tal divindade. Não há possibilidade para o homem se ausentar de sua responsabilidade; não há algo para atribuir ou compartilhar sua existência; não há justificação em que homem se acovarda diante de sua existência; e, apela para uma divindade, ou seja; “o homem está só e sem desculpas, está condenado a ser livre”.A responsabilidade única é total de sua existência está sobre si próprio e sua história não se constrói a partir de uma essência primaria estabelecida incondicionalmente; pelo contrário, a sua existência só acontecerá no decorrer da sua história.

A liberdade é uma questão fundamental para o existencialismo de Sartre. No entanto, não é apenas uma liberdade de expressão, mas uma liberdade que permite escolha e a realização do individuo; uma liberdade sem limites, mas extremante responsável. Para Sartre a liberdade do ser humano se constitui quando o homem tem o direito de escolher o seu ser, o seu destino, sua vida; tornando-se totalmente responsável por tudo o que o vier a lhe acontecer. Portanto; a liberdade para Sartre pode ser conceituada partindo do conceito que o homem primeiramente existe; e antes de qualquer coisa, o homem “é o que se lança para o futuro; ou seja, o homem será aquilo que ele tiver projetado ser”.

Desta maneira a liberdade toma forma; pois consiste em deixar o homem totalmente responsável pela sua existência; pois a existência; procede a essência. O homem é totalmente responsável por aquilo que é. Sendo assim o homem tem a liberdade e o domínio de que ele é; e tem toda a responsabilidade de sua existência. As coisas serão tais como o homem tiver decidido que as sejam, o que mostra que o homem não é se não o seu projeto, e que existe na medida em que se realiza na história; portanto o homem é o conjunto a somatória de seus atos.
Tal liberdade não significa uma liberdade individual, mas uma liberdade que inclui todos os homens. Diante disso a responsabilidade do homem fica maior; pois ele não é apenas responsável por sua liberdade, como também envolve toda a humanidade. Esta liberdade de escolher implica no valor do que escolhemos, porque nunca podemos escolher mal, porque nada pode ser bom para mim sem que seja bom para todos.

Por isso Sartre faz menção de uma terrível angustia do existencialismo, onde o homem não é apenas aquilo que escolhe e decide fazer para ser; mas também é um legislador, que ao mesmo tempo a humanidade se torna sua responsabilidade. Isso mostra que a minha liberdade depende dos outros, e que a liberdade dos outros depende da minha, pois uma vez que existe uma ligação de compromisso sou abrigado ao mesmo tempo em que a minha liberdade e a liberdade dos outros; visto que para Sartre “Só posso tomar a minha liberdade como um fim, se tomo igualmente a dos outros como um fim”.

SÓCRATES COMO O FUNDADOR DA MORAL GREGA

O lado belo da apologia de Sócrates revela o conceito de virtude. A alma segundo que subentende para Sócrates é o consciente, ou seja, a consciência e a personalidade intecutual e moral. Uma vez descoberto que o homem é sua alma; a mesma se torna a parte principal que o homem deve cuidar com grande rigor, para que o homem possa conhecer a ti mesmo e ser um individuo virtuoso. É da virtude que nasce a riqueza e todas as outras coisas que são boas para o homem. Para Sócrates a vida só pode ser definida e verdadeiramente vivida através da virtude. “Em grego, aquilo que chamamos de “virtude se diz” Arete”. Significa aquilo que torna uma coisa boa e perfeita naquilo que é, ou melhor, ainda significa aquela atividade; ou modo de ser que aperfeiçoa cada coisa, fazendo ser aquilo que deve ser”.. Sobre este conceito a não-virtude que conseqüentemente seria identificada como algo ruim e imperfeito.

Todavia sendo este algo ruim e conseqüentemente imperfeito seria explicado etimologicamente através do conceito “vicio”. O conceito de vicio por sua vez seria a privação do homem sobre a ciência ou conhecimento, vale dizer a ignorância. O homem sem a virtude seria então conseqüentemente ignorante, o qual desprovido do conhecimento da alma e de sua essência conceituaria os valores externos como certo. “conhecimentos” exige, ou seja, em função da alma e de sua “ arete”. Diante de tal definição, a morte para Sócrates seria supostamente viver uma vida na ignorância, longe de uma natureza boa e perfeita; fazendo de valores externos a essência da vida. Em relação a esta suposta conceituação do conceito de morte para Sócrates a uma possibilidade de compreender a decisão de Sócrates em ficar tranqüilo diante da sentença de morte no texto da apologia. Uma vez que Sócrates se declara culpado e renunciasse e retrata-se pedindo clemência; mesmo sabendo que esse seria a única possibilidade de permanecer vivo. Sócrates não exitou a isso por saber que a o maior bem para um homem é justamente o falar todos os dias sobre a virtude e argumentando sobre o raciocinar, examinando a si mesmo e aos outros e que uma vida sem esse exame não é digna de ser vivida.

A morte seria o melhor caminho, uma vês que a verdadeira morte para Sócrates consiste em viver uma vida longe da virtude e da honra. Portanto pode conceituar que a vida para Sócrates seria a realização de uma existência liberta da ignorância; visto que não há lógica para Sócrates viver uma vida dominada pelos instituis; pois os que assim os fazem são escravos, o que mostra que não há possibilidade de viver a vida como escrava, mas apenas o homem livre através da virtude e do autodomínio poderá viver a verdadeira vida.

Finalizando, como já foi enfatizado, Sócrates identifica que a essência do homem é a alma, cuidar de si mesmo significa cuidar da própria alma mais do que do corpo. E ensinar os homens cuidarem da própria alma é a tarefa suprema do educador, precisamente a tarefa de Sócrates considera ter recebido de Deus, como se lê na apologia. Para Sócrates o método para educar a alma do homem e fazê-lo deixar a vida de ignorância para viver a vida virtuosa, seria a “maiêutica” onde Sócrates levava o intelecutor a reconhecer a sua própria ignorância. Sócrates através da maiêitica simplesmente pergunta. Não ensina; quer aprender. Seu pensamento parece desprovido de conteúdo. Se, porém não há ensinamentos ele propõe algo. Destruindo as respostas fáceis dos intelecutores mostra que o pensamento deve ser mais prudente. Se as respostas saem é porque as pergunta foram mal formulada, e apenas contorna o problema.

O que Sócrates faz é formular perguntas, adequadas, isto é, um método de investigação que encaminhe o pensamento em direção à essência das coisas sem desvios.
Deste processo da maiêitica surge à virtude, conhecê-la torna-se, principal objetivo do verdadeiro conhecimento, só pratica o mal quem ignora o que se seja a virtude. E quem tem o verdadeiro conhecimento só pode agir bem. Desde modo o conhecimento e a virtude tornam-se sinôminos. Através da maiêutica Socrática as questões morais deixam de ser tratadas como convenções baseadas nos costumes as quais se modificam conforme as circunstâncias e o interesse para se tornar problemas que exigem do pensamento uma elucidação racional. Nesse sentido, ele seria o fundador a ética.

O BEM POLÍTICO E O BEM INDÍVIDUAL EM ARISTÓTELES

A possibilidade de entendimento da relação entre bem individual e bem político inicia primeiramente na compreensão da visão antropológica de Aristóteles do homem político. O homem aristotélico pensava a partir de seu mundo que era a polis a qual estava inserido. A construção da polis estava intrinsecamente ligada ao “Ethos” . Ao analisar a polis nota-se que os gregos tinham um jeito próprio de ser, um modo próprio de organizar e pensar que regia as suas atitudes e os seus modos de agirem. Um povo costuma ter um modo próprio de organizar a sua vida, sua história ou cultura; o que possibilita o modo ou o jeito próprio habitual de morar e habitar o mundo. Organizar a vida é o que se chama de ethos.Do ethos em ação surgia os valores as normas e os costumes da polis grega. Assim o ethos era a base moral do indivíduo. Desta forma compreendemos que o ethos é aquilo que da o norte que orienta os atos dos indivíduos.

Mas como chegar a tal orientação? Para Aristóteles existe algo da natureza humana, este algo é a “palavra” . O homem é um ser lingüístico; para qual finalidade? Para discernir o que é justo ou injusto, o bom o mal. Através deste poder lingüístico o homem opta em agir de maneira lógica. Este agir lógico é a virtude. Assim o bem individual se dá através de um agir virtuoso na observância do ethos. Ser virtuoso é agir de acordo com a regra correta, ou seja; é agir de modo racional, o agir-bem e viver-bem; é agir e viver de acordo com a racionalidade como enfatiza Aristóteles “ A lei é a razão não afetada pelo desejo” Ético a Nicomâco 1287ª.

Para Aristóteles o bem individual é resultante da forma de vida preferida por ele que é a vida contemplativa, pois supostamente é a que realizaria a função própria do ser humano. Não há dúvida, entretanto de que o bem individual é compreendido como uma atividade resultante da virtude. Nesta perspectiva a virtude é o produto da educação e do cultivo de bons hábitos (Ethos). Um Estado virtuoso é uma espécie de segunda natureza cultivada pelo desempenho continuo dos bons hábitos. Assim considera Aristóteles que a virtude não é mera disposição psicológica, mas um estado do caráter do indivíduo, um modo de ser.

Desta forma compreende-se melhor o porquê Aristóteles enfatiza que o homem é um animal político, pois sem a cidade o homem é apenas um homem em impotência. O homem se constrói como um ser social na cidade (comunidade política) sem ela o homem é “sem família, sem lei e sem lar” . Por esta causa não a virtude e nem cidade sem o ethos, e não há bem individual sem o ethos e a virtude. Pois sem a cidade o homem é um bicho ou um demiurgo, ou seja; um deus que faz as coisas ao seu modo. Nas na cidade o homem deve agir virtuosamente, pois é a virtude que regula as relações entre os membros da cidade a qual a comunidade possa existir.

O bem individual como já relatamos é o individuo ético e virtuoso. Mas o bem político o que seria? A reflexão aristotélica sobre a política não se separa da ética, pois a vida individual está imbricada na vida comunitária. Compreende-se que para Aristóteles que a finalidade da ação ética é a felicidade do indivíduo. A política tem a finalidade levar a cidade ao bem político que seria a felicidade . No sistema aristotélico assinala o caráter indissociável entre ético e político. A ética como já enfatizado trata das condições que nos permitem alcançar à felicidade individual, ao passo que a política trata do bem político a felicidade pública, que é mais nobre do que a primeira porque determina a própria existência. O bem é a finalidade da política e a política é o bem maior sobre todos os outros. O bem político assegura a felicidade da cidade por isso a cidade existe por natureza para assegurar a vida boa . Mas essa vida boa na cidade só e efetivada pela ética, pois a ética é a realização da política. Por isso para que haja o bem político é necessário que os indivíduos vivam da melhor forma possível; na visão Aristotélica é impossível ser prospero sem agir bem, por isso nem os homens e nem a cidade agem bem sem qualidades morais.

Em síntese nas definições aristotélicas a causa final do homem é a felicidade. Por isso a felicidade é o telos do homem. E este telos só pode ser alcançada pela prática das ações éticas e políticas.Estas ações humana da ao indivíduos aquilo que é próprio de sua essência, ou seja o homem já carrega em si os elementos da felicidade e através da ação ética e política ele alcança aquilo que é próprio dele. Mas para que haja um bem político deve haver o bem individual que é o agir ético e virtuoso. Esse bem individual quando encarnado em todos os indivíduos materializas-se através da ação política o bem político, ou seja, à felicidade. O bem político é maior que o bem individual, pois o todo é maior do que as partes transformando a polis em uma grande entidade, ou seja; em uma comunidade política. Entre o bem individual e o bem político a uma relação de finalidade em que o bem individual e o bem político é um meio para alcançar à felicidade que é a finalidade de todas as ações efetivada na comunidade política.

A ÉTICA EM AGOSTINHO

A ética agostiniana envolve o conceito de liberdade e o livre arbítrio da vontade. A proposta de Agostinho rompe com duas concepções de ética. A primeira é da filosofia grega em que a liberdade estava fundamentada em um telos político em que ser ética era ser virtuoso na observação ao ethos. A segunda ruptura é em relação ao maniqueísmo que propunha uma não liberdade, pois a natureza do homem é mal; além de ter uma visão dualística em que haveria segundo eles dois princípios eternos em oposição do bem e do mal constante entre dois deuses.

Agostinho traz uma mudança a respeito do conceito de liberdade e do livre arbítrio da vontade. Enfatizando que o mal não é conseqüência de fatores políticos ou da natureza humana ou de alguma entidade espiritual. Nesta concepção Agostinho desconstroi o conceito de mal ontológico. Para ele o homem é autor de sua conduta e é responsável por ela. Assim Agostinho enfatiza o livre arbítrio da vontade e a liberdade em sua concepção ética.
A ética agostiniana está fundamenta em um telos-teológico o qual tem Deus com o Bem Supremo e a mal como conseqüência antropológica. Para tal questão Agostinho faz duas perguntas que orienta seu pensamento: O que é o mal? E de onde vem este mal? Em relação à primeira pergunta Agostinho refuta o mal ontológico e enfatiza que o mal é a privação do bem e que o mal como tal não existe. O que existe é uma privação do bem como conseqüência do livre-arbítrio da vontade. Deus é o criador de todas as coisas bom, por isso não pode criar o mal que é oposto a sua essência, e o mal não é nada de positivo, mas uma privação. Por isso é pelo livre-arbítrio da vontade que o homem se aproxima do bem que é Deus; e, é também pelo livre-arbítrio da vontade que ele se afasta tendo assim a mal como ausência do bem.

A vontade não é mal em si pelo fato que foi dado por Deus, mas o uso incorreto dela que compromete. Por isso Agostinho enfatiza que o livre-arbítrio da vontade situa-se na mente, e essa se submete as paixões; tanto que Agostinho enfatiza que “ pertence a vontade querer ou não querer ter uma vontade boa”.Toda esta questão para Agostinho se dá pois para ele o homem não é só intelecto, mas também vontade; e essa vontade ela tem que estar em harmonia com a verdade moral pois sem essa harmonia não há ética. Mas a vontade que é uma faculdade da razão, subjetiva e interior pode ser influenciada podendo assim ser dependente ou independente como conseqüência de certos hábitos e paixões se tornando mutável e vulnerável.

Se o homem não é só intelecto, mas também vontade e podendo esta vontade ser influenciada ou vulnerável desejando coisas más, como conseguira o homem usar o livre arbítrio da sua vontade para chegar a Deus e ser feliz? Segundo Agostinho o mau uso da vontade inverte a relação em que a alma sendo superior ao corpo é subordina a ele, enfraquecendo a alma. Mas segundo Agostinho a graça e o elemento de potencialização a qual pode ajuda a encaminhar o livre-arbítrio da vontade a Deus, pois a vontade humana precisa ser ajudada na faculdade do querer o bem. Assim o homem alcançará a felicidade, pois como Agostinho relatou na “Vida Feliz” só é feliz aquele que encontra Deus.

Sergio Adriano

A MERCANTILIZAÇÃO DO SAGRADO

O contexto da Americana Latina mostra uma transição entre a modernidade e pós-modernidade, este quadro poliedrico trouxe sobre a sociedade uma nova maneira de ver as coisas e de interpleta-las, principalmente dentro da cosmovisão religiosa. Conceitos dogmas, teorias, tabus começaram à se difundir na pós- modernidade trazendo sobre a esfera religiosa mudanças, as quais algumas podem ser classificadas como simples outras complicadas, algumas superficiais e outras mais profundas.. No âmbito do capitalismo pós-modermo, a mercantilização do sagrado, submerge sendo as práticas usadas por algumas esferas religiosas.

O conceito de mercantilização resume na filosofia que esta relacionada com as práticas do capitalismo, das propagandas ou do markintg. O mercantilismo trabalha com a sedução, no mundo dos negócios do markintg é preciso ter criatividade para se manter no mercado, não adianta ter somente um bom produto, mas é preciso ter uma boa propaganda, o mercantilismo convence o consumidor a consumir.

O fenômeno religioso se divide em duas partes o Sagrado X profano, o conceito de sagrado é tudo aquilo que esta ligada à religião, magia, mitos é crenças. Qualquer tipo de religião que o indivíduo venha ter trará para ele uma concepção do sagrado. O profano será tudo aquilo que não será sagrado, também poderá estar associado com pessoas, com dogmas, com doutrinas, objetos, época, data etc. Como relata Eliade autor do livro o Sagrado X Profano declara que as sociedades mais arcaicas tinham a tendência de viver o mais possível no sagrado ou muito perto dos objetos consagrados. Dento de vários temas de nossa atualidade a mercanlização do sagrado é um fenômeno da realidade presente, é algo que ganha mais espaço, no campo religioso.

O mercado da fé ganhou projeção na década de 70, através da teologia da prosperidade. Estamos diante de uma manifestação religiosa que lança mãos de métodos empresariais do mundo do markintg para alcançar seus objetivos. Pode considerar suspeita uma religião que ministura tão facilmente Deus é os negócios, exigindo deste relacionamento favores terrestres? ou de uma forma supersticiosa, fazer riqueza através da manipulação do sagrado ?

As práticas deste fenômeno, o qual se denomina “Mercantilização do Sagrado” esta intimamente ligada com à mídia. Movimentos religiosos da nossa realidade presente têm lançado mãos de muitos métodos do markintg para alcançar seus objetivos. O cristianismo surgiu numa sociedade já habituada a comercialização do sagrado, no primeiro século da era cristã, muitos santuários religiosos de tradição asiático-grego-romano praticavam um intenso comércio ao redor do espaço sagrado. O templo de Jerusalém na época de Jesus, era controlado por uma casta, sacerdotal, que ali desenvolvia um comércio irregular de animais destinado aos sacrifícios onde cambiavam moedas trazidas pelos Judeus de todo o impérios romano proibidas de circular, na área do templo.

Como não havia um padrão único de moedas exigia-se a presença dos cambistas, cuja função, era trocar o dinheiro dos peregrinos pelas moedas do templo, era uma condição para aceitação das ofertas. Isso era feito em condições vantajosas para os sacerdotes, mostrando assim desde aquela época a mercantilização do sagrado

O LADO BOM DE NÃO SABER

Uma das coisas mais inteligentes que o ser humano pode saber é que não sabem. Aliás, só é possível caminhar em direção a excelência se você souber que não sabe algumas coisas. Porque há pessoas que, em vez de ter humildade para saber que não sabem, finge que sabe. Pior do que não saber é fingir que sabe. Quando finge que sabe, impede que um planejamento adequado, impede uma ação coletiva eficaz. Por isso, a expressão “ não sei” é um sinal de absoluta inteligência. Essa e uma regra básica da vida; quando se esta no fundo do poço, a primeira coisa que precisa para sair de lá, é parar de cavar. E a pá que continua cavando, ao não saber, fingir que sabe. Fingir para quem? Não existe auto-engano. Isso significa que quando alguém diz “ não sei”, é um sinal de inteligência. Álias, a pessoa humilde é capaz de ter dúvida, e isso é motor da mudança.

Cuidado com gente que não tem dúvida, pois “Tolo não é somente aquele que não crê em nada; mas também aquele que crê em tudo”. Gente que não tem dúvida não é capaz de inovar, de reinventar, não é capaz de fazer de outro modo. Gente que não tem dúvida só é capaz de repetir. Cuidado com gente cheia de certeza. Num mundo de velocidade e mudança, imagine indivíduos cheios de certeza arrogantes a dificuldade que isso traz para os relacionamentos. Claro, você não pode ser alguém que só tem dúvida, mas não te-las é sinal de tolice. “Será que estou fazendo do melhor modo? Será que isso que creio realmente é assim? Será que aquilo que foi passado mim como verdade realmente é verdade? Será que eu estou certo é todo mundo está errado? Será que estou fazendo aquilo que deve e pode ser feito?”

Só seres que arriscam erram. Não confunda erro com negligência, desatenção e descuido. Ser capaz de arriscar é uma das coisas mais inteligentes para mudar. Você não tem de temes o erro. Tem de temer a negligência, e o descuido. Erro é para ser corrigido não para ser apenas punido. O que se pune é negligência, desatenção e descuidado. Quem inventou a lâmpada elétrica de corrente continua foi Thomas Edison, sabemos. O que nem sempre se tem idéia é que ele fez 1.430 experiência antes de chegar à lâmpada que deram errado. Ele inclusive registrou; inventei 1.430 modos de não fazer a lâmpada. Porque é muito importante também saber o que não fazer. Ele aprendeu que o fracasso não acontece quando se erra, mas quando se desiste face ao erro.

Nenhum ser humano é capaz de fazer tudo certo o tempo todo de todos os modos. Por isso, o indivíduo não conhece alguém quando ele erra, mas quando ele erra e não desiste. E dizem: Há, é por isso que a gente aprende com erros ? Não, a gente não aprende com erros. A gente aprende com a correção dos erros. Se a gente aprendesse com os erros, o melhor método pedagógico seria errar bastante. Num mundo competitivo, para caminhar a excelência é preciso fazer o melhor, no lugar de vez ou outra, contentar-se com o possível. E isso exige humildade e exige que coloquemos em dúvida as praticas que já tínhamos. Porque se as práticas que tinhas e temos nos dia-a-dia fossem suficientes, estaríamos melhores.

Para ser capaz de uma mudança cada vez mais significativa e positiva é necessário ter humildade. Só quem acha que já sabe acaba caindo na armadilha perigosa que é não dar passos adiante. De onde vem à palavra “humildade”? De húmus, que é terra fértil e na origem, significa o “solo sob nós”. Em outras palavras, húmus é o nível em que nós estamos. A palavra “humildade” é a mesma da origem húmus, da qual deriva a palavra “humana”. Isso significa que estamos todos nos mesmo nível. Humildade, humano, húmus- estamos no mesmo nível em relação á nossa dignidade. Existem pessoas que não têm essa percepção, eles não conseguem aproveitar as oportunidades porque não têm humildade.Qual contrário de humildade? Arrogância. Gente arrogante é gente que acha que já sabe, que acha que não precisa aprender, que costuma dizer: “ Há dois modos de fazer as coisas, o meu ou o errado. “Escolha você” não compreendi que “ Compreender com clareza e ter percepção de que a verdade nada tem haver com minhas preferências ou aquilo que eu considero que deveria ocorrer” Brian Magee.

Gente arrogante não ouve discordância e não consegue crescer. Nós somos um animal arrogante. Há pessoas que se recusam à mudança porque acham que já estão prontas. “Pode deixar, eu sei o que eu faço” dizem com relativa freqüência. Arrogância é um perigo porque ela altera inclusive a nossa capacidade de aprender com outro, de entrar em sintonia.