JOHN LOCKE

"todos os homens, que, sendo todos iguais e livres, nenhum deve prejudicar o outro, quanto à vida, à saúde, à liberdade, ao próprio bem". E, para que ninguém empreenda ferir os direitos alheios, a natureza autorizou cada um a proteger e conservar o inocente, reprimindo os que fazem o mal, direito natural de punir"

FRIEDRICH HAYEK

“A liberdade individual é inconciliável com a supremacia de um objetivo único ao qual a sociedade inteira tenha de ser subordinada de uma forma completa e permanente”

DEBATES FILOSÓFICOS

"A filosofia nasce do debate, se não existe a liberdade para o pensar, logo impera a ignorância"

A Filosofia é.....

"Viver sem filosofar é o que se chama ter os olhos fechados sem nunca os haver tentado abrir". Descartes

LIBERDADE

"Liberdade, Igualdade , Fraternidade. Sem isso não há filosofia. Sem isso não há existência digna.

"Nós temos um sistema que cobra cada vez mais impostos de quem trabalha e subsidia cada vez mais quem não trabalha"

LUDWING V. MISES

"O socialismo é a Grande Mentira do século XX. Embora prometesse a prosperidade, a igualdade e a segurança, só proporcionou pobreza, penúria e tirania. A igualdade foi alcançada apenas no sentido de que todos eram iguais em sua penúria"

quarta-feira, 14 de agosto de 2013

Nietzsche - Sobre verdade e mentira no sentido extra moral

A questão colocada por Nietzsche no texto “Sobre verdade e mentira no sentido extra moral” se da sobre as perguntas: O que aconteceria  se a verdade dos enunciados fosse apenas um engano ? E se a condição da verdade fosse a mesma  da mentira  ? Isso iria mostrar  tão somente  o caráter  dissimulador  do intelecto  humano e da fragilidade das condições  absolutas  de verdade. É justamente a essa conclusão que Nietzsche quer nos esclarecer.  Com esta fábula, Nietzsche pretende nos mostrar o quão sem importância e pequenos nós somos diante da existência. Acreditamos que por nosso intelecto somos seres superiores. Ficamos cegos pela própria luz que pensamos emanar. Como não possuímos atributos corporais naturais para lutarmos pela nossa existência tivemos que procurar um meio alternativo. A natureza negou aos homens meios físicos naturais para lutar pela vida, e deu-lhe em compensação o intelecto.
Porém, mesmo com estratagemas o homem precisava lutar. Portanto, assim como os outros animais o homem também recebeu os sentimentos básicos de preservação da espécie, os instintos. Quando, para sobreviver, elaborávamos algum artifício enganador e astucioso, eram estes sentimentos primordiais que nos moviam. Enquanto que nos outros animais, naturalmente paramentados para a luta, tais fatores encontram diretamente uma exteriorização no próprio corpo, no homem tal processo não ocorre sem antes passar pelo intelecto. Segundo Nietzsche o homem é o criador  dos valores, mas esquece sua própria  criação e vê neles algo de transcendental  de eterno  e verdadeiro, quando os valores  não  são mais  que  algo humano e demasiadamente  humano. 
O  homem em sua vaidade acredita andar com as próprias pernas, sem perceber, entretanto, que seus movimentos são ditados por forças primitivas, das quais não se dá conta. Nietzsche apresenta uma oportunidade para abrirmos os olhos para outra realidade.  Ele nos coloca a questão mais fundamental: como podemos esperar ouvir a verdade do mestre da mentira sem que mintamos para nós mesmos? A mentira efetiva-se ao expressar alguma coisa diferente do que percebe e sente como realidade. Porém, o homem só será punido em consideração aos seus fins e objetivos. Por si só, a verdade e a mentira nada significam de bem ou de mal. 
A verdade é uma designação, tomada universalmente como válida, dada à expressão do que uma pessoa percebe e sente como realidade. Logo, a verdade está submetida às convenções da linguagem. Mas, por mais rigorosas que possam ser tais convenções, toda expressão é expressão de um sujeito. Assim, acontece com os nossos conceitos. No dicionário Aurélio, encontramos a seguinte definição para conceito: representação dum objeto pelo pensamento por meio de suas características gerais. O intelecto é imanente ao homem e não lhe cabe nada que não seja inteiramente humano.
O que compreendemos não são as “coisas em si”, diretamente. Enxergamos relações entre elas e entre elas e nós mesmos. O que designamos como coisas e objetos são na verdade conjuntos de relações antropomórficas. Interagimos com o mundo mediado por uma teia de relacionamentos herdada, que compõe a nossa bagagem cultural. Quando enxergamos algo, o vemos de um ponto de vista legitimamente humano.  De acordo com Nietzsche a  verdade nasce desta obrigação impingida por pacto social. O mentiroso é mal visto, castigado e excluído pelos outros membros da comunidade. Para ser respeitado é necessário orientar-se sempre pela verdade. Mas esta verdade nada mais é do que uma convenção social com o objetivo de regular os inter-relacionamentos humanos e possibilitar a formação de uma comunidade. 
Em nossa busca cega pela verdade, somos incapazes de perceber a completa falta de sentido deste empreendimento. Somos homens e, como tais, tudo o que nos cabe ser, viver e experimentar é inexoravelmente humano. Tudo que possamos ver e compreender serão feito a partir de uma perspectiva humana e não passará de uma representação de nós mesmos.

A posicionamento de Nietzsche  nos mostra que não existe  um sentido  original, pois as próprias palavras não passam  de interpretações, antes mesmo de serem  signos. As palavras segundo Nietzsche, sempre  foram  inventadas pelas classes superiores, e assim não indicam  um significado, mas impelem uma  interpretação. O trabalho do filósofo (Etmologista), portanto deve centralizar-se no problema de saber o que existe para   ser interpretado  na medida  em que  tudo  é mascara, interpretação avaliação, fazer isso é avaliar o que vive é dançar e criar.          

Wittgenstein - E os jogos de linguagens

Na (I/F) obra "Investigações filosóficas" o significado de uma palavra não é um objeto que  a sucede, mas é determinado pelas regras que norteiam seu funcionamento. Aprende-se o significado das palavras aprendendo usa-las. Assim, como aprendemos jogar xadrez pela observação e movimento das peças no tabuleiro de xadrez. Todas as regras do xadrez só terá sentido dentro do jogo de xadrez. De forma semelhante uma proposição só terá sentido e significado dentro de um jogo de linguagem, ou seja, as sentenças proferidas dependem da situação do contexto em que são expressas.
O termo jogos de linguagens (JGLG) se constituiu o ponto central da teoria de Wittgenstein, pois permite explicar como o significado da palavra pode ser entendido dentro de um contexto. Para Wittgenstein o significado não é mais compreendido como algo  fixo e determinado, mas sim  como algo que as expressões  linguísticas a linguagem exerce em um contexto específicos com objetivos específicos. Nesta perspectiva, o significado pode mudar de acordo com o contexto em que a palavra é utilizada. Assim, a mesma palavra pode ser utilizada em diferentes contextos, com diferentes significados. É por causa deste diferentes contextos de uso com seus objetos específicos que Wittgenstein denomina de jogos de linguagem. Os (JGLG)  tem por objetivos mostrar que a linguagem é sempre utilizada em um contexto onde os indivíduos se interagem usando tais expressões com um objetivo determinado. A linguagem é uma forma de comunicação e a determinação do significado de uma palavra ou sentença depende de como interpretamos o objetivo de seu uso nesses diversos jogos de linguagem, o que leva a crer, portanto, que a linguagem não pode ser determinada de modo definitivo.
Os JGLG fazem parte de uma forma de vida. A forma de vida é um pano de fundo, ou seja, a linguagem ela se dá sobre um arcabouço a qual se desenvolve os JGLG. As representações naturais como hábito, costumes, instituições, visão de mundo é o que proporciona a base para a forma de vida. Destas formas,  existem regras as quais dão condições para todo JGLG. Assim, as formas de vida são os fundamentos dos jogos de linguagens. Nos JGLG a função é como as alavanca de uma locomotiva, apesar de ser igual cada uma tem sua função, uma freia, outra acelera e outra para. Desta metáfora Wittgenstein atribui que as palavras podem ser iguais, mas pode ocupar papeis diferentes dentro dos jogos de linguagens. Uma palavra pode ser usada em diferente sentido dada cada jogo de linguagens em que a palavra está inserida.
Assim, a significação esta atrelada ao uso da linguagem. A linguagem significativa é aquela que corresponde ao objeto que tem significado. Só posso querer dizer algo quando estou dentro de um jogo de linguagem, pois somente dentro de um jogo de linguagem é que posso fazer algo. Os jogos de linguagens não é um jogo só com as palavras, mas também implica em ter regras que ordene dando sentido e significado. A significação se dá quando há regras de uso para as palavras. Essas regras não são um uso que qualquer um pode fazer justo. Para que uma palavra seja usada significativamente e ter sentido é necessário ter regras. Essas regras são públicas, dizer que eu tenho uma regra é dizer que existe um critério para o uso da expressão.

Nas Investigações a linguagem não é tomada como algo completo e autônomo que pode ser investigado independentemente de outras considerações, na medida em que ela se entrelaça com todas as atividades e comportamentos humanos. Como consequência, os inúmeros e diferentes usos que fazemos dela, recebem conteúdo e significado de nossos afazeres práticos, de toda nossa cultura. Como vimos, a linguagem é parte inclusiva de muitas formas de vida. Nas Investigações, a idéia é que o significado de uma palavra ou sentença é o uso que se pode fazer dela em um ou outro dos vários jogos de linguagem que formam a linguagem “O significado de uma palavra é seu uso na linguagem”.